- Eduardo Assad alerta sobre impactos do El Niño no Piauí e a necessidade de resiliência agrícola.
- Produção de grãos pode ser afetada pela redução de chuvas, exigindo sistemas integrados e aprofundamento de raízes.
- Pequenos produtores devem diversificar, adotando agroflorestas e apicultura para mitigar riscos climáticos.
- El Niño pode agravar seca e aumentar risco de incêndios, com temperaturas elevadas e baixa umidade no Piauí.
- População deve evitar exposição ao sol, economizar água e seguir alertas meteorológicos para se proteger.
As mudanças climáticas e a chegada do fenômeno El Niño trazem alertas importantes para o setor agrícola brasileiro. Em entrevista ao MeioNews, o pesquisador da Embrapa e professor do FGVAgro, Eduardo Delgado Assad, apontou diferentes caminhos e estratégias para que os produtores do Piauí aumentem a resiliência de suas propriedades e garantam a sustentabilidade de suas produções.
Durante o evento "Impactos Sociais e Econômicos do Clima no Brasil", no 3º Encontro com Jornalistas, realizado pelo Instituto Clima e Sociedade, em parceria com o E-Mundi, Eduardo Assad informou que o El Niño mais severo ocorreu em 1997. “Ele foi muito forte, teve temperaturas muito elevadas e a partir daí nós estamos talvez caminhando com uma situação como essa”, afirmou.
Conforme ele, a supersafra brasileira não irá acabar. No entanto, as perdas totais tendem a ficar em torno de 10%.
APROFUNDAR RAÍZES
No estado, que deve sofrer com a redução das chuvas durante esse período, a produção de grãos, como soja e milho, poderá ser afetada. Conforme o especialista, um dos primeiros aspectos para que o grande agricultor, cujo módulo de produção é de 500 hectares, aumente a resiliência, suporte as mudanças climáticas e mantenha um bom plantio é a adoção de sistemas integrados.
Isso permite que você aprofunde as raízes. O segredo está em aprofundar as raízes.Se o produtor consegue fazer isso, seja a partir do sistema de produção, seja através de processos químicos, como o calcário e o gesso, ele vai reduzir o impacto do El Niño nessa produção.]
TRANSIÇÃO
Já para o pequeno produtor, Eduardo Assad pontuou que é necessário promover mudanças e trabalhar com sistemas diversificados, como os agroflorestais, que combinam madeira, grãos e frutas, ajudando o produtor a ampliar sua fonte de renda. Ele também destacou a apicultura como uma alternativa.
Piauí já é um um um líder na produção de mel no Brasil. Apicultura é uma opção muito boa. E apicultura, quando você aluga as suas colmeias e põe lá do lado da soja, ele aumenta a produção da soja. Cuidado, se a temperatura subir muito, as abelhas morrem. Então nós temos que tomar um certo cuidado com isso.
Embora a pecuária bovina seja tradicional, para o cientista ela é considerada muito arriscada para o pequeno produtor. A alternativa recomendada é focar em outros tipos de proteína animal, como a criação de cabras, caprinos e aves.
Você tem que ter uma produção de outro tipo de proteína animal. Tem uma uma publicação da Embrapa, uma das mais difundidas por aí, a produção de aves no nordeste, foi produzido no Piauí, tá? Você tem a apicultura, você tem os cabritos, as cabras, você tem as aves que podem ajudar, quer dizer, você tem que diversificar. Você não pode querer que o pequeno produtor trabalhe ou tenha um perfil de produção de sojicultor e produtor de milho, disse.
COMO O EL NIÑO VAI IMPACTAR O PIAUÍ?
A Semarh destacou que a atuação do El Niño favorecerá a ocorrência de temperaturas mais elevadas e a redução da umidade relativa do ar, contribuindo para o aumento da demanda evaporativa. Além disso, os efeitos no estado também dependem das condições do Oceano Atlântico Tropical e da atuação dos sistemas atmosféricos que influenciam a região.
Há potencial para:
- Agravamento dos indicadores de seca;
- Aumento do risco de ocorrência de incêndios florestais.
Os efeitos do fenômeno já estão sendo sentidos no estado. Em agosto deste ano, o Piauí apresenta predomínio de tempo seco e quente, com temperaturas máximas entre 34°C e 38°C, enquanto os menores índices de umidade relativa do ar ficaram abaixo de 20%, especialmente durante as tardes.
O QUE A POPULAÇÃO PODE FAZER PARA SE PROTEGER?
- Evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes;
- Manter hidratação frequente e atenção especial a crianças e idosos;
- Economizar água e evitar desperdícios;
- Não realizar queimadas nem utilizar fogo próximo à vegetação seca;
- Acompanhar os avisos meteorológicos da SAMPECE/SEMARH.
TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS MESES
Os modelos climáticos indicam cerca de 48% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria muito forte no trimestre ASO. A tendência é que o fenômeno se intensifique, com possibilidade de alcançar a categoria Muito Forte entre o trimestre OND.