- Casal Shirlene e Reginaldo viveu relacionamento de 30 anos em Teresina, com festas e encontros em praças e clubes da cidade.
- Comunicação entre os casais era feita por telefone fixo e orelhão, com pouca tecnologia comparada à atualidade.
- Diego e Wylina namoraram na adolescência, usando bilhetes e encontros em praças, seguindo regras estabelecidas pelos pais.
- Memórias dos casais destacam a importância de lugares como Elefantinho, Jockey Club e Praça do Fripisa na vida amorosa.
- Os casais expressam saudade da forma tradicional de relacionamento, com interação pessoal e momentos de romance.
A história dos casais Shirlene e Reginaldo e Diego e Wylina se cruzam no tempo. As décadas de relacionamento os fizeram conhecer uma antiga Teresina, escondida na memória de muitos.
Viveram um tempo em que o namoro na calçada de casa era comum, as festas eram nos famosos clubes da capital, as praças funcionavam como pontos de encontro e a comunicação era feita por ligação ou carta. No TBTeresina desta terça-feira (11), os casais trazem a memória a antiga Teresina.
REGINALDO E SHIRLENE: O AMOR DE 30 ANOS
Shirlene e Reginaldo têm longos anos de história para contar. São casados há 30 anos e a primeira troca de olhares aconteceu quando ele foi até a casa da amada junto de um amigo para beber água depois de um jogo de futebol.
O romance só veio cerca de três meses depois e foi marcado por festas tradicionais de Teresina, como os Carnavais, além do famoso Jockey Club.
Nos anos 90, a relação era totalmente diferente do que é hoje. Íamos às festas juntos, por exemplo, carnaval, nas classes produtoras ou no jockey club. Nos divertimos muito nas micarinas e festejos das nossas cidades, porque eu sou de Elesbão Veloso e o Reginaldo é de Piripiri, compartilhou Shirlene.
Além das festas, as praças também faziam parte da rotina dos casais. Na época, Shirlene conta que os namorados costumavam se encontrar na Praça do Fripisa, localizada no Centro de Teresina.
A gente era estudante e estudávamos no Sinopse. Nós namoramos na Praça do Fripisa. Quando eu saía da escola, a gente ia namorar na Praça, disse.
A icônica sorveteria Elefantinho, localizada na Avenida Frei Serafim, também foi um ponto de encontro do casal.
A gente se encontrava na Frei e íamos muito no Elefantinho, que era uma sorveteria bem famosa da época, afirmou Shirlene.
Ela também conta que o Clube do Flamengo, na Zona Sul de Teresina, e o Círculo Militar faziam a diversão dos fins de semana.
Era diversão garantida. Sábado de tarde, Clube do Flamengo. Domingo, íamos para o Círculo Militar, relembrou Shirlene.
A comunicação entre os pombinhos também era muito diferente do que aconteceu nos dias de hoje. O orelhão e o telefone fixo era o que conectava o casal.
“Todo dia à noite, ele me ligava quando eu estava de férias. E também, às vezes, a gente falava pelo orelhão. Ou ele ligava pra mim no orelhão ou eu ligava pra ele no orelhão”, comentou.
O AMOR DA ADOLESCÊNCIA
Se para Shirlene e Reginaldo a Praça do Fripisa era ponto de encontro, Diego e Wylina também guardam na memória lugares de Teresina que fizeram parte da história do casal.
Diego conheceu Wylina ainda na adolescência, em encontros da igreja em que participavam. Ele relembra que a conquista era feita aos poucos e por um método que hoje parece distante: o uso de bilhetinhos.
A gente usava no tempo, a tecnologia ainda era bem escassa. Então, bilhetinho, cartinha, assim, bem mesmo, já daquele método antigo, é o que a gente tinha, conta.
O telefone fixo e o famoso orelhão também marcaram a trajetória do casal.
Ligação era por telefone fixo e aí era só um momento para conversar. Ela usava o orelhão e na casa da minha avó tinha telefone fixo, disse.
Ao longo do namoro, alguns lugares de Teresina também ficaram marcados na memória de Diego, como a praça próxima à Igreja São Benedito.
Tinha aquele namorinho na praça, ali, geralmente, perto da praça, ali, da Igreja São Benedito, ali, perto da Prefeitura, conta.
Na época, o namoro também seguia regras estabelecidas pelos pais. Havia horário para voltar para casa e o encontro na calçada fazia parte da rotina dos jovens.
Tinha horário e que entregar cedo. A gente tinha que namorar na porta da casa seguindo todo um protocolo, compartilhou.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando os dois ainda moravam no bairro São Joaquim. Diego lembra que foi deixar Wylina em casa depois de ela sair do shopping, durante uma forte chuva.
No nosso bairro São Joaquim, lembro que uma vez eu fui deixar ela em casa à noite, ela tinha saído do shopping. E era uma chuva muito forte. E antes de eu entregá-la em casa, eu dei um beijo nela na chuva. Para mim foi mágico isso, acrescentou.
UMA TERESINA QUE FICOU NA MEMÓRIA
As histórias de Shirlene e Reginaldo e de Diego e Wylina mostram que há décadas atrás os casais viviam uma Teresina bem diferente do que conhecemos hoje.
As praças, clubes, sorveterias, calçadas e orelhões eram o pano de fundo das histórias de amor. Bilhetinhos e ligações mantinham a paixão acesa.
Para Diego, é justamente essa forma de se relacionar que deixou saudade.
Sinto falta dessa nostalgia, romantismo, acho que tá bem superficial, tá muito voltado pra tecnologia, as pessoas não sentam mais pra conversar, olhar nos olhos, pegar na mão, eu acho que tá faltando isso, finalizou.
Shirlene também compartilha da mesma nostalgia: “Antigamente, você namorava na porta.Hoje não vejo um casal namorando mais na porta. Eu acredito que também eles duravam mais (namoros) porque hoje as pessoas namoram e só faltam assinar um papel”, finalizou.