- Empresário Douglas Fonseca foi preso por esquema de estelionato envolvendo DF Group.
- Grupo movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos com ostentação nas redes sociais.
- Investigação aponta que empresa falsificava histórico de sete anos para ganhar confiança.
- Polícia descarta alegações de sócios e recursos bloqueados no exterior.
- Número de vítimas pode aumentar com divulgação das prisões e denúncias.
A Polícia Civil do Piauí (PCPI) afirmou que a organização investigada por suspeita de aplicar golpes por meio da empresa de investimentos DF Group utilizava uma rotina de ostentação nas redes sociais para atrair investidores. Segundo os investigadores, o grupo movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos, enquanto exibia carros de luxo, viagens internacionais, relógios de alto valor e imóveis para transmitir credibilidade aos clientes. O empresário Douglas Fonseca, CEO da empresa, foi preso nesta sexta-feira (10) durante operação contra uma suposta organização criminosa investigada por estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Ostentação fazia parte da estratégia, diz delegado
Durante entrevista coletiva, o delegado Matheus Zanatta afirmou que a exposição de uma vida de luxo era utilizada como ferramenta para convencer novos investidores a aplicar dinheiro na empresa.
"Ele usava as redes sociais, ostentando com carros de luxos, relógios, viagens, aviões, justamente para fazer a captação desses investidores. Os 10% que ele prometia muitas vezes ele não pagava esses 10% e as vítimas começaram a registrar os respectivos boletins de ocorrência, o que ensejou a abertura do inquérito policial."
Segundo Zanatta, a análise da movimentação financeira aponta que o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões.
"Mais de 100 milhões de prejuízos. Nós verificamos a movimentação bancária dele e, em dois anos, houve uma movimentação de mais de 100 milhões de reais."
Grupo dizia atuar há sete anos
O delegado Roni Silveira afirmou que as investigações indicam que a atuação efetiva do grupo ocorreu nos últimos dois anos, embora a empresa afirmasse possuir sete anos de mercado para transmitir maior confiança aos investidores.
"Nos últimos dois anos, que é quando a gente tem realmente a captação deles de vítimas, toda aquela movimentação em rede social para chamar a atenção, para dar uma aparência de prosperidade, a gente pode dizer que o grupo movimentou aproximadamente 100 milhões de reais."
Ainda conforme o delegado, a investigação encontrou indícios de que empresas ligadas ao grupo foram abertas e encerradas rapidamente.
"Para dar credibilidade eles se vendiam como atuantes há sete anos. Mas, quando, na verdade, os registros deles apontam aqui para, digamos assim, arredondando dois anos."
Polícia descarta alegações feitas nas redes sociais
Durante a coletiva, Roni Silveira também comentou declarações divulgadas por Douglas Fonseca nas redes sociais, entre elas a de que seria sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e que recursos estariam bloqueados no exterior.
Segundo o delegado, não há elementos na investigação que sustentem essas afirmações.
"Não tem nada nos autos que aponte nenhuma evidência nesse sentido. Ele fala muitas coisas na rede social dele. Rede social, na verdade, ainda é um terreno que aceita a plantação de muitas coisas."
O delegado acrescentou que o investigado citava dinheiro em países como Panamá e Estados Unidos, narrativa que, segundo ele, poderia dificultar a compreensão de pessoas sem conhecimento do mercado financeiro.
Número de vítimas pode aumentar
A Polícia Civil informou que ainda trabalha para identificar o total de vítimas, mas acredita que esse número aumentará à medida que novas pessoas procurem as autoridades.
"O número de vítimas a gente ainda está mensurando. Seria precipitado dizer agora, porque acredito que esse número vai aumentar, e muito, a partir do momento que as pessoas souberem das prisões."
Roni Silveira estimou que apenas em Teresina já existam cerca de 70 vítimas, além de destacar que diversas pessoas já registraram boletins de ocorrência.
"Várias procuraram a polícia. O que nos chamou a atenção foi a notícia de um indivíduo de Teresina se autoapregoando mestre de mercado de capitais, viajando pelo mundo, adquirindo vários imóveis, enquanto vítimas procuravam a polícia dizendo que investiram dinheiro com esse indivíduo e não estavam recebendo."
Entenda o caso
Douglas Fonseca, CEO da DF Group, foi preso nesta sexta-feira (10) durante uma operação da Polícia Civil do Piauí (PCPI) que apura um suposto esquema de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Além da prisão do empresário, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares determinadas pela Central de Inquéritos de Teresina.
A investigação começou após investidores denunciarem dificuldades para recuperar valores aplicados na empresa de investimentos, sediada na zona Leste de Teresina. Em junho, pelo menos quatro pessoas procuraram a TV Meio Norte e o 1º Distrito Policial para registrar denúncias. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), mais de 100 boletins de ocorrência já foram registrados contra a DF Group.
A operação contou com apoio da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI), do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), da Diretoria de Inteligência Estratégica (DINTE), da Diretoria de Operações de Trânsito (DOT) e da Gerência de Operações e Investigações Criminais (GOIC).