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Como a educação pública do Piauí tem transformado a vida de jovens estudantes

No aniversário do estado, indicadores educacionais e histórias de estudantes revelam conquistas, oportunidades e desafios da escola pública piauiense

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O texto apresenta uma narrativa rica e inspiradora sobre o avanço da educação no Piauí, destacando não apenas os resultados estatísticos, mas também as histórias reais de estudantes que transformaram seu potencial em conquistas. Abaixo, uma análise e síntese do conteúdo, com foco em seus principais pontos e lições: --- ### **1. Acesso à Universidade e Conquistas Individuais** - **Apoio da rede pública**: Muitos estudantes, provenientes de escolas públicas, conseguiram ingressar em universidades federais, incluindo cursos altamente concorridos como Medicina. - **Exemplos notáveis**: - **Wederson Rodrigues da Silva**: Primeiro estudante de escola pública da cidade de Brasileira a ser aprovado em Medicina pela UFDPar. - **Luís Fernando**: Estudante de uma região rural que sonhava com uma vaga em Medicina e, com apoio da família e da escola, conseguiu realizar o sonho. - **Impacto social**: Essas conquistas não apenas mudam a vida dos estudantes, mas também inspiram comunidades e famílias, mostrando que o acesso à educação é possível, mesmo em contextos de desvantagem. --- ### **2. Desempenho em Competições Acadêmicas** - **Aumento significativo de medalhas**: Em 2025, estudantes piauienses conquistaram **10.531 medalhas** em olimpíadas científicas e acadêmicas, **dobrando** o número de 2024. - **Destaque de alunos**: - **Francisco Yuri de Brito Vieira**: Medalhista de ouro na OBMEP 2025, que atribuiu parte de seu sucesso à competição. - **Ketlyn Alves**: Estudante que participou de diversas olimpíadas, incluindo a OBMEP, a Olimpíada Mandacaru e a Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial. - **Importância das competições**: Elas servem como catalisadores para o desenvolvimento acadêmico, oferecendo oportunidades de bolsas, viagens e aulas de aprofundamento. --- ### **3. Inovação e Tecnologia na Educação** - **Projetos práticos**: Estudantes do Ceti José Pacífico desenvolveram uma **plataforma digital** para monitorar a distribuição de refeições escolares, usando QR Code e tecnologia web. - **Objetivo**: Reduzir o desperdício de alimentos e melhorar o controle da alimentação dos estudantes. - **Impacto**: O projeto mostra como a educação técnica pode ser aplicada em situações reais, incentivando a criatividade, a colaboração e a resolução de problemas. --- ### **4. Aprendizado e Desenvolvimento Pessoal** - **Formação integral**: A educação no Piauí não se limita à sala de aula. Estudantes têm oportunidades de: - Participar de projetos de inovação. - Atingir conquistas em competições. - Acessar universidades de alto nível. - Desenvolver habilidades técnicas e científicas. - **Apoio da escola e da família**: A contribuição dos professores, da família e da comunidade escolar é fundamental para o sucesso dos estudantes. --- ### **5. A Importância da Educação para o Futuro** - **Transformação de conhecimento em oportunidades**: A educação é a ferramenta que permite aos estudantes: - Acessar a universidade. - Desenvolver soluções para problemas reais. - Compartilhar habilidades e conhecimentos. - Conhecer outras realidades e construir projetos de vida. - **Visão humana dos dados**: Por trás das estatísticas, há histórias de dedicação, superação e sonhos realizados. --- ### **Conclusão** O texto destaca o progresso da educação no Piauí, não apenas em termos de números, mas também em termos de **humanização da educação**. As conquistas dos estudantes são fruto de políticas públicas, apoio familiar e escolar, e da própria vontade de aprender e se superar. Essas histórias servem como inspiração para outras regiões e reforçam a importância de investir na educação como forma de transformar vidas e construir um futuro mais justo e inclusivo. --- Se quiser, posso ajudar a transformar esse texto em um **artigo jornalístico**, **relatório de análise**, **apresentação para palestra** ou **resumo para uso em aula**. Deseja alguma dessas versões?
Estudantes da rede pública de ensino do Piauí | Foto: Reprodução/ Divulgação/ Meio News
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O Piauí celebra, neste 19 de outubro, uma trajetória de avanços que também se expressa dentro das escolas. Em um cenário de desafios históricos para a educação pública brasileira, o  estado conquistou posições de destaque nacional ao ampliar o ensino em tempo integral, expandir a formação técnica e alcançar a segunda maior nota do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 para o ensino médio.

Os resultados colocam a educação entre os principais motivos de orgulho dos piauienses e evidenciam uma estratégia que busca articular aprendizagem, inovação e preparação para o futuro profissional.

Mais do que indicadores isolados, os números ajudam a dimensionar as mudanças promovidas na rede estadual. A proposta é ampliar o tempo de permanência dos estudantes na escola, diversificar as experiências de aprendizagem e aproximar a formação oferecida das oportunidades acadêmicas e profissionais.

Nesse percurso, o ensino integral e a educação técnica assumem papéis centrais, enquanto os resultados do Ideb e dos processos seletivos para universidades públicas oferecem outras medidas do desempenho dos estudantes.

Secretaria da Educação | Foto: Reprodução/ SEDUC)

Tempo integral

A ampliação do ensino em tempo integral está entre os pilares da política educacional piauiense. Nesse modelo, os estudantes permanecem até nove horas por dia na escola e têm acesso a uma formação que ultrapassa as disciplinas tradicionais da educação básica.

Além dos conteúdos de Português, Matemática, Física e outras áreas da Formação Geral Básica, o currículo incorpora componentes como Inteligência Artificial, Robótica, Educação Financeira e Empreendedorismo. Arte, cultura e esporte também integram a rotina escolar, com a proposta de diversificar as experiências educativas e contribuir para uma formação mais abrangente.

A expansão dessa modalidade integra um processo de modernização da rede estadual, que envolve mudanças na estrutura física, pedagógica e tecnológica das escolas. A política busca fortalecer a permanência dos jovens no ambiente escolar e oferecer condições para o desenvolvimento acadêmico, ao mesmo tempo que amplia o contato com conhecimentos relacionados à ciência, à tecnologia e à vida profissional.

O modelo também está associado à estratégia de preparação para o ensino superior. A rede conta com iniciativas de apoio aos estudantes que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entre elas o Pré-Enem Seduc e os recursos disponibilizados pelo Canal Educação, com videoaulas, simulados, quizzes e ferramentas de correção de redações por inteligência artificial.

Estudantes da rede estadual participam da 1ª Revisão Pré-Enem Seduc Game no Centro de Convenções de Teresina | Raíssa Morais/ Meio News 

Educação infantil também avança

As ações do Piauí para a educação também contemplam as crianças nos primeiros anos de vida. Em 2023, o estado ampliou a atuação do Pacto pelas Crianças do Piauí em articulação com o Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa (PPAIC), incluindo iniciativas voltadas à primeira infância, de 0 a 3 anos, e à pré-escola, destinada a crianças de 4 e 5 anos.

Em fevereiro de 2026, o governo estadual firmou um termo de cooperação com a Coalizão pela Pré-Escola para fortalecer o atendimento às crianças de 4 e 5 anos. A parceria busca ampliar as ações voltadas a essa etapa da educação básica, que antecede o ingresso no ensino fundamental.

O foco nessa fase envolve tanto o acesso à escola quanto as condições oferecidas para o desenvolvimento infantil. Nas creches e pré-escolas, as experiências de aprendizagem, as brincadeiras e a convivência contribuem para o desenvolvimento da linguagem, da autonomia e da socialização das crianças.

Foto: Reprodução/ Divulgação

Liderança técnica

Se o tempo integral amplia as possibilidades de formação dentro da escola, o ensino técnico acrescenta uma dimensão profissional a esse percurso. O Piauí lidera nacionalmente o percentual de estudantes matriculados em cursos técnicos, com 52%, segundo os dados apresentados pela Secretaria de Estado da Educação. O índice coloca o estado à frente das demais unidades da federação nesse indicador, de acordo com o levantamento divulgado pela gestão estadual.

A oferta contempla áreas como Desenvolvimento de Sistemas, Programação de Jogos, Agropecuária, Turismo, Farmácia e Informática, com presença expressiva de formações ligadas à tecnologia. A proposta é permitir que os jovens concluam o ensino médio com conhecimentos que possam ser utilizados tanto na continuidade dos estudos quanto na busca por oportunidades de trabalho.

A estratégia também procura aproximar a formação das características econômicas de cada região. Em parceria com a Invest Piauí, a Secretaria de Educação realizou um levantamento das áreas com potencial de geração de empregos e passou a utilizar esse diagnóstico para orientar a oferta de cursos.

Educação no Piauí | Foto: Reprodução/ SeducNa prática, isso significa considerar as atividades econômicas que se desenvolvem nos municípios. Em localidades que recebem empreendimentos de energia eólica ou projetos de mineração, por exemplo, a rede pode direcionar a formação para áreas relacionadas a essas atividades. O planejamento inclui cursos de energias renováveis, agricultura, logística e mineração, conforme as demandas identificadas.

O objetivo é aproximar a qualificação oferecida pelas escolas das necessidades apresentadas pelo setor produtivo, sem restringir a formação dos estudantes a uma única possibilidade profissional. Ao combinar conhecimento técnico e educação básica, a política busca ampliar as condições de acesso ao emprego e à renda e preparar os jovens para diferentes caminhos após a conclusão do ensino médio.

Foto: Reprodução/ Seduc

Recorde no Ideb

O desempenho da rede estadual também ganhou destaque com a divulgação dos resultados do Ideb 2025. O Piauí alcançou nota 5,0 no ensino médio e ficou na segunda posição nacional, atrás apenas do Paraná, que registrou 5,1.

O índice é calculado a partir do desempenho dos estudantes nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e das taxas de aprovação escolar. Por reunir informações sobre aprendizagem e fluxo escolar, o indicador oferece uma referência para acompanhar a qualidade da educação e identificar avanços e desafios das redes de ensino.

O resultado colocou o Piauí à frente de estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina no indicador do ensino médio estadual. A posição reforça o destaque da rede pública piauiense no cenário nacional, embora a diferença de um décimo em relação ao primeiro colocado mostre que ainda há espaço para avançar.

Governador do Piauí, Rafael Fonteles, resolve questões de matemática no Pré-Enem Day | Foto: Eliaquim de Paula/MeioNews 

Ao comentar o desempenho, o governador Rafael Fonteles atribuiu o resultado a uma política orientada por dados e evidências, com medidas que incluem a ampliação do tempo integral, o ensino técnico integrado, os investimentos em infraestrutura e a valorização dos profissionais da educação. A gestão também destaca o acompanhamento dos indicadores escolares e o planejamento de ações voltadas às necessidades de cada unidade de ensino.

A meta anunciada pelo governo é alcançar a primeira posição nacional com uma diferença mais expressiva em relação aos demais estados. Para isso, o desafio consiste em manter a evolução dos resultados e transformar os indicadores em melhorias contínuas para estudantes e profissionais da rede.

Acesso à universidade

Os avanços também aparecem no ingresso de estudantes da rede estadual no ensino superior público. Na primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mais de cinco mil alunos foram aprovados em instituições como a Universidade Federal do Piauí (UFPI), o Instituto Federal do Piauí (IFPI), a Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). Segundo a Secretaria de Educação, o resultado representa o maior número de aprovações da história da rede estadual.

Entre os destaques está o crescimento no ingresso em Medicina, curso tradicionalmente marcado pela alta concorrência. O número de estudantes aprovados oriundos da rede pública estadual passou de dez para vinte, considerando as quatro instituições mencionadas nos dados divulgados pela gestão.

Pré-Enem Seduc | Foto: Divulgação/ Seduc

Também foram registrados casos de estudantes que alcançaram o primeiro lugar geral em cursos como Matemática, Química e Física, inclusive na modalidade de ampla concorrência, fora do sistema de cotas. Os resultados ampliam a dimensão das conquistas e mostram que os alunos da rede estadual têm alcançado diferentes áreas de formação no ensino superior.

Parte dos aprovados escolheu cursos de licenciatura, área estratégica para a formação de novos professores e para o próprio futuro da educação piauiense. A ampliação do acesso à universidade, portanto, representa não apenas a conquista individual dos estudantes, mas também a possibilidade de fortalecer a formação profissional em áreas essenciais ao desenvolvimento do estado.

Desafios e futuro

Os indicadores nacionais ajudam a dimensionar o caminho percorrido pela educação pública do Piauí, mas também apontam para a responsabilidade de sustentar os avanços. Ampliar matrículas em tempo integral e cursos técnicos, elevar o desempenho nas avaliações e garantir o acesso ao ensino superior exige continuidade das políticas, acompanhamento das escolas e atenção às diferentes realidades dos municípios.

A construção do Plano Estadual de Educação do Piauí para o período de 2026 a 2036 integra essa perspectiva de planejamento. A proposta reúne representantes da educação e de diferentes setores da sociedade para discutir metas e estratégias para a próxima década, considerando temas como qualidade do ensino, infraestrutura escolar, formação dos profissionais e educação ambiental.

Educação no Piauí | Foto: Reprodução/ Seduc)

No aniversário do estado, a educação se apresenta como uma das frentes em que o Piauí busca consolidar sua presença nacional.

Histórias que dão sentido aos números

Por trás dos indicadores que colocam o Piauí em destaque na educação brasileira, existem estudantes que transformam o aprendizado em projetos, conquistas acadêmicas e novas perspectivas de futuro. Da zona rural aos laboratórios de inovação, das olimpíadas científicas às universidades, suas trajetórias revelam diferentes formas de aproveitar as oportunidades encontradas na escola pública.

São histórias que passam pela tecnologia, pela formação profissional, pelo desempenho acadêmico e pela persistência diante de desafios. Em comum, elas mostram jovens que ampliam seus horizontes a partir do conhecimento e começam a ocupar espaços que, em diferentes momentos de suas trajetórias, pareciam distantes.

Aos 18 anos, Jhonata Lima Silva já transformou o conhecimento adquirido no ensino médio em uma experiência profissional internacional. Aluno do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Modestina Bezerra, em Teresina, ele foi contratado pela Kodland, empresa multinacional de origem russa especializada no ensino de programação para crianças e adolescentes. Em janeiro de 2026, assinou um contrato de dois anos e passou a ministrar aulas para estudantes brasileiros.

Estudante Jhonata Lima Silva | Foto: Reprodução Natural de Pedro II, no Norte do Piauí, Jhonata começou a aprender programação no primeiro ano do ensino médio, por meio de uma plataforma educacional da Secretaria de Estado da Educação. Atualmente, além das aulas que ministra, cursa formação técnica em Programação de Jogos Digitais e se prepara para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Foi na escola que consegui aprender sobre programação e decidi ampliar esse conhecimento. Participei de projetos e comecei a enxergar a programação como profissão”, contou.

Entre os trabalhos desenvolvidos durante a formação está o jogo educativo Polyglot, criado com colegas de turma. O projeto utiliza inteligência artificial para auxiliar no ensino de idiomas, com recursos como correção de pronúncia em tempo real, e foi apresentado em um evento em Brasília.

A oportunidade internacional surgiu após o estudante encontrar uma vaga no LinkedIn. O processo seletivo durou cerca de um mês e meio e incluiu testes práticos, aulas demonstrativas e o desenvolvimento de um projeto de programação. Segundo Jhonata, a experiência acumulada na escola e no curso técnico foi decisiva para demonstrar seu domínio dos conteúdos e sua capacidade de ensinar.

A rotina agora combina o ensino médio em tempo integral, as aulas de programação a partir das 19h e os estudos para o Enem. Para o futuro, ele considera graduações como Engenharia de Software, Ciência de Dados e Ciência da Computação.

Um mundo de novas possibilidades

A estudante Mariana Mazur Sousa, de 18 anos, também encontrou na formação escolar uma oportunidade de ampliar os próprios horizontes. Aluna do Ceti João Henrique de Almeida Sousa, em Teresina, ela foi selecionada para um intercâmbio na Alemanha por meio do Seduckathon, iniciativa da Secretaria de Estado da Educação voltada ao reconhecimento do desempenho acadêmico dos estudantes.

A conquista veio após etapas de avaliação que levaram em conta suas notas. Mariana havia deixado uma escola particular para ingressar na rede pública de tempo integral e passou a participar de experiências que ampliaram seu contato com diferentes áreas do conhecimento.

Na Alemanha, a estudante teve contato com outras culturas e participou de atividades práticas em laboratórios e espaços de inovação. No Motion Lab, ambiente internacional que reúne mais de cem startups, participou de oficinas de design, impressão 3D, carpintaria e atividades têxteis, além de exercícios de design thinking, metodologia voltada à criação de soluções a partir da compreensão de problemas reais.

Durante as atividades, também ajudava colegas a compreender os conteúdos em inglês, conciliando o aprendizado técnico com a colaboração entre estudantes de diferentes contextos.

A experiência representou mais do que uma viagem ao exterior. Ao entrar em contato com novas formas de aprender e desenvolver projetos, Mariana teve a oportunidade de conhecer ambientes de inovação e vivenciar experiências que ultrapassam a rotina convencional da sala de aula.

Da zona rural à Medicina

No município de Boa Hora, no interior do Piauí, Luís Fernando de Oliveira Leite construiu uma trajetória marcada pela dedicação aos estudos até conquistar uma vaga no curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Filho de agricultores e morador da zona rural, o estudante concluiu o ensino médio no Ceti Pedro Coelho de Resende. Durante a preparação para o Enem, participou de monitorias, projetos estudantis e atividades de preparação acadêmica. Também integrou o Programa Do Piauí para o Mundo, por meio do qual realizou um intercâmbio educacional na Alemanha.

Luís Fernando de Oliveira Leite, aluno do CETI Pedro Coelho de Resende, em Boa Hora | Foto: Ascom/Seduc 

A aprovação representou a concretização de um objetivo que, diante da concorrência do curso e das condições de sua realidade, parecia distante. Para alcançar a nota necessária, Luís Fernando reorganizou a rotina, deixou de utilizar redes sociais e aproveitou as revisões oferecidas pela rede estadual.

“Vindo de onde eu venho, sonhar com algo tão concorrido parecia distante. Meus professores sempre acreditaram em mim, e isso se transformou em um sonho coletivo da minha família”, relatou.

O estudante também destacou o esforço dedicado à preparação e o significado da conquista para sua vida. “Essa aprovação representa uma mudança de vida”, afirmou.

A trajetória de Luís Fernando reúne formação escolar, preparação para o vestibular e experiências internacionais, mas tem como ponto central a conquista de uma vaga em uma das graduações mais concorridas do país. A aprovação amplia suas perspectivas profissionais e representa uma realização compartilhada com a família e a comunidade escolar.

além da sala de aula

Aos 18 anos, Wederson Rodrigues da Silva também conquistou uma vaga em Medicina, desta vez na Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). Morador de Brasileira, município situado a cerca de 180 quilômetros de Teresina, ele se tornou o primeiro estudante de escola pública da cidade a ingressar no curso, conforme as informações divulgadas sobre sua aprovação pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Filho do pedreiro Edvaldo Rodrigues e da dona de casa Raimunda Lopes, Wederson estudou durante toda a vida na rede pública e concluiu o ensino médio no Ceti Miguel Arcoverde. Sua rotina de preparação para o Enem começava cedo: ele costumava acordar entre quatro e cinco horas da manhã para estudar antes das aulas e reservava outros períodos do dia para revisar os conteúdos.

Wederson Rodrigues da Silva | Foto: Reprodução/ Redes sociais O desempenho acadêmico também foi construído ao longo dos anos. Em 2024, conquistou medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). No ano seguinte, recebeu medalha de bronze na mesma competição.

A aprovação em Medicina reuniu, assim, anos de dedicação e incentivo familiar. Os pais, que tiveram acesso limitado à educação formal, acompanharam a trajetória do filho e celebraram emocionados a conquista.

O resultado tem um significado que ultrapassa a entrada na universidade: representa a chegada de um jovem de escola pública a uma formação historicamente marcada pela alta concorrência, além de abrir novas possibilidades para sua trajetória profissional.

Talentos reconhecidos nas olimpíadas

As competições acadêmicas também se tornaram espaço de destaque para estudantes piauienses. Em 2025, alunos da rede estadual conquistaram 10.531 medalhas em olimpíadas científicas e acadêmicas, mais que o dobro das 4.564 premiações registradas no ano anterior, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Educação.

Entre os estudantes que se destacaram está Francisco Yuri de Brito Vieira, medalhista de ouro na OBMEP 2025. Aluno das Turmas ITA/IME Seduc do Ceti Governador Dirceu Mendes Arcoverde, em Teresina, ele atribui à competição parte importante do caminho que começou a construir na área acadêmica.

“A OBMEP foi a porta de entrada que me mostrou onde o estudo pode me levar. A partir dela, eu tive acesso a viagens, bolsas de incentivo e a aulas extras voltadas para a preparação para olimpíadas do conhecimento”, relatou.

Francisco Yuri conquistou medalha de ouro nacional na OBMEP 2025 | Reprodução/ Seduc

A experiência ilustra como uma competição de conhecimento pode abrir portas para outras oportunidades de aprendizagem, aproximando os estudantes de atividades de aprofundamento acadêmico e de novas experiências educacionais.

No interior do estado, Ketlyn Alves, estudante do Ceti Dr. José Gusmão, em Colônia do Piauí, também acumula conquistas em diferentes competições. Apaixonada por Matemática desde a infância, ela participou da OBMEP, da Olimpíada Mandacaru, da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial e do Torneio de Matemática das Escolas Estaduais do Piauí.

Foto: Reprodução/ Seduc

Ao longo do ensino médio, conquistou menções honrosas e medalhas, incluindo pratas na Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial e na Olimpíada Mandacaru. Para ela, o ingresso na escola ampliou as possibilidades de aprofundar o interesse pela disciplina e participar de desafios acadêmicos.

“Quando cheguei ao Dr. José Gusmão, encontrei várias oportunidades oferecidas pela escola na área de Matemática”, relatou.

As trajetórias de Francisco Yuri e Ketlyn mostram como o interesse pelo conhecimento pode se desdobrar em participação em competições, reconhecimento acadêmico e aprofundamento dos estudos. Ao mesmo tempo, evidenciam que esses percursos não se concentram apenas na capital: estudantes de diferentes municípios também encontram espaço para desenvolver seus talentos.

Tecnologia para resolver problemas reais

Em Teresina, estudantes do Ceti José Pacífico levaram os conhecimentos do curso técnico de Informática para um desafio cotidiano da comunidade escolar: o controle da distribuição de refeições e a redução do desperdício de alimentos.

O grupo desenvolveu uma plataforma digital que utiliza tecnologia web e identificação por QR Code para registrar a alimentação dos estudantes e gerar relatórios em tempo real. O sistema permite verificar se cada aluno já recebeu sua refeição e reunir informações que ajudam a escola a acompanhar o consumo e organizar a produção da merenda.

A ideia começou a ser estruturada em 2024, a partir da identificação da necessidade de aprimorar o controle da alimentação. O desenvolvimento da ferramenta teve início em 2025, e a plataforma passou a ser utilizada em 2026.

Estudantes da rede estadual criam plataforma para monitorar merenda escolar | Foto: Reprodução/ Ascom/Seduc 

A professora Evelyn Silva, que coordenou o trabalho com os alunos, explicou que o projeto foi construído a partir dos conteúdos de gerenciamento de dados estudados no curso técnico. O sistema gera um registro com informações do estudante e um QR Code que pode ser lido na fila da cantina.

Para Osvaldo Neto, aluno da terceira série do ensino médio, participar da iniciativa permitiu aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula em uma situação concreta.

“É muito gratificante ver algo que a gente ajudou a construir sendo implementado e ajudando todos que fazem a escola”, afirmou.

O projeto mostra uma dimensão diferente da formação técnica: além de aprender ferramentas e conceitos, os estudantes são incentivados a identificar problemas, trabalhar coletivamente e desenvolver soluções que possam ser utilizadas pela própria comunidade. Nesse caso, o aprendizado em tecnologia resultou em uma ferramenta voltada à gestão escolar e à organização da alimentação.

O futuro em construção

As trajetórias desses estudantes não são iguais. Algumas passam pelo ingresso em cursos concorridos, outras pelo reconhecimento em olimpíadas, pela experiência internacional, pela tecnologia ou pela formação profissional ainda durante o ensino médio. Cada uma, à sua maneira, mostra diferentes possibilidades de transformar conhecimento em oportunidades.

Os resultados individuais não substituem os desafios que a educação pública ainda precisa enfrentar, nem permitem atribuir todas as conquistas a uma única política. Mas ajudam a dar dimensão humana aos indicadores: por trás das notas, das matrículas e das aprovações existem estudantes que dedicam tempo aos estudos, professores que acompanham seus percursos e comunidades escolares que participam dessas conquistas.

Pré-Enem Seduc | Reprodução/ Seduc 

No aniversário do Piauí, essas histórias ajudam a compreender o alcance da educação para além das estatísticas. O conhecimento aparece como ferramenta para ingressar na universidade, desenvolver soluções, compartilhar habilidades, conhecer outras realidades e construir projetos de vida. São caminhos distintos, ligados pela possibilidade de aprender e ampliar horizontes a partir da escola.

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