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PM é indiciado por homicídio 10 meses após morte de motorista em Campo Maior

A conclusão do inquérito foi divulgada nesta segunda-feira (25), quase dez meses após o crime.

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  • O policial militar Hesron Gonçalves de Sousa foi indiciado por homicídio após morte do motorista Francisco Werick Silva Alves em julho de 2025.
  • A conclusão do inquérito foi baseada em depoimentos, laudos periciais e quebra do sigilo telefônico do policial.
  • O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise da denúncia criminal ou novas diligências.
  • A família de Francisco Werick considera o indiciamento um "passo importante" na busca por justiça.
Hesron Gonçalves de Sousa, foi indiciado por homicídio pela morte do motorista Francisco Werick Silva Alves. | Reprodução.

O policial militar do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI), Hesron Gonçalves de Sousa, foi indiciado por homicídio pela morte do motorista Francisco Werick Silva Alves, de 19 anos, ocorrida em julho de 2025, em Campo Maior, no Norte do Piauí. A conclusão do inquérito foi divulgada nesta segunda-feira (25), quase dez meses após o crime. 

Segundo a Polícia Civil, o indiciamento ocorreu pelo reconhecimento, em tese, de excesso na legítima defesa. De acordo com o delegado Carlos Júnior, responsável pela investigação, a conclusão foi baseada em depoimentos, laudos periciais e na quebra do sigilo telefônico do policial, medida considerada decisiva para o avanço do caso. 

“O inquérito policial foi devidamente concluído, tendo o investigado sido indiciado pela prática do crime de homicídio, em razão do reconhecimento, em tese, de excesso na legítima defesa”, informou a autoridade policial. 

RELEMBRE O CASO 

Francisco Werick foi morto a tiros na madrugada de 25 de julho de 2025, dentro do quintal de uma residência no bairro Santa Cruz, em Campo Maior. Na ocasião, a versão apresentada era de que o jovem teria tentado invadir a casa de uma mulher e entrado em luta corporal com o policial, que estava no imóvel. 

Ao longo da investigação, no entanto, laudos da perícia apontaram inconsistências em relação ao relato inicial. Entre os principais pontos levantados estão: 

  • ausência de sinais aparentes de luta corporal no corpo da vítima; 
  • inexistência de sinais de arrombamento na residência; 
  • disparos sem características de curta distância; 
  • indícios de possível alteração da cena antes da chegada da perícia. 

A perícia também identificou manchas de sangue no quintal que indicariam que Werick ainda teria se deslocado após ser baleado. 

HIPÓTESE DE CRIME PASSIONAL FOI DESCARTADA 

A Polícia Civil informou ainda que a hipótese inicial de crime passional foi descartada durante as investigações. Segundo o delegado, ficou constatado que Hesron Gonçalves de Sousa não possuía vínculo pessoal, afetivo ou conhecimento prévio com Francisco Werick. 

Os elementos informativos produzidos durante a apuração demonstraram que o investigado não possuía qualquer vínculo pessoal, afetivo ou conhecimento prévio da vítima, informou.

FAMÍLIA FALA EM “PASSO IMPORTANTE POR JUSTIÇA” 

Em nota, a defesa da família de Francisco Werick afirmou que recebeu o indiciamento como “um passo importante” na busca por justiça. O advogado Hartonio Bandeira, que representa a família, afirmou que diligências como pedidos de busca e apreensão, laudos e perícias técnicas ajudaram a esclarecer as circunstâncias da morte.

Hoje, após 10 meses de investigação, recebemos o indiciamento do agente público como responsável pelo crime de homicídio. Um passo importante para a família da senhora Cecília Oliveira na jornada por justiça, declarou. 

Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Piauí e ao Poder Judiciário, que vão analisar se oferecem denúncia criminal ou se solicitam novas diligências.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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