Uma vizinha de Antônia Carla Pereira Araújo, de 34 anos, que morreu juntamente com dois filhos após a casa em que morava desabar, na zona rural do município de Barras, relatou ao Meio News como foi o ocorrido.
De acordo com Cleidiana dos Santos, ela e o esposo acordaram assustados na madrugada desta segunda-feira (20) após escutarem um barulho. Ao sair na rua, a moradora relatou que não viu nada estranho, mas pouco depois uma criança apareceu na sua porta pedindo ajuda e informando que a casa havia desabado.
A gente acordou com aquele barulho, um estrondou, a gente pensava que era o mundo se acabando. Eu e meu esposo nos levantamos. Quando a gente se levantou, olhamos dentro de casa e não tinha nada caído. Aí eu falei assim: ‘Meu Deus, que estranho’. Eu fui no banheiro, e quando voltei, meu esposo ainda estava em pé da porta. O menino vinha chamando: ‘Tia, tia, tia, a minha casa caiu’. Quando ele disse ‘tia, minha casa caiu’, eu fiquei gelada. Fiquei ali sem saber nem como reagir. Aí eu entrei no meu quarto, peguei a chave e abri o portão. Quando cheguei no portão, fiquei congelada, porque olhei para cá e ainda estava aquela poeira, levantando os destroços que tinham caído.
Emocionada, a vizinha relembrou os momentos críticos da tentativa de resgate.
Eu mesma ainda estou sem acreditar no que aconteceu. Porque você se levantar do jeito que se levantou, olhar para um lado e ver uma mãe de família gritando por socorro e você não poder ajudar, é muito triste. Corta o coração. E mais ainda o filho dela me pedindo para ficar com ele, e eu sem poder dizer que posso, porque não sei se vou poder, né? Existe toda uma burocracia. É muito triste. Foi muito triste o momento desse desabamento aqui. A gente ficou, todo mundo ficou em choque.
Pedido de socorro
Ao se dirigir para a casa das vítimas, Cleidiana relatou que ainda escutou gritos de socorro, que acredita terem sido de Antônia Carla. Logo em seguida, ela ligou para a polícia, mas foi informada de que deveria entrar em contato com o Corpo de Bombeiros.
Quando a gente chegou aqui, eu e meu esposo escutamos uma zoada de socorro. A gente não sabe se era dela ou das crianças, porque duas crianças saíram vivas. Eu liguei para a polícia às 4h12, e eles me relataram que não era com eles, que era com o Corpo de Bombeiros. Eu falei que não tinha contato do Corpo de Bombeiros, que eles é que tinham que se responsabilizar, porque a gente não tem esse contato, né? A gente só tem o da polícia. Eles disseram que não e desligaram. Aí eu vim pra cá com meu esposo e saí gritando na rua, pedindo socorro.
Ainda de acordo com Cleidiana, vizinhos de Antônia Carla iniciaram o resgate em meio aos escombros com a esperança de retirar as vítimas com vida. “Até 5h, antes do Samu chegar, era só a população ajudando”, disse.
Vida difícil
Com seis filhos e grávida, Antônia Carla morava de favor na residência e, há algum tempo, buscava ajuda para construir a própria casa e viver com mais segurança. Cleidiana relatou que já havia alertado a mulher sobre o perigo de viver no local, mas a falta de condições não deu outra alternativa para a matriarca.
A gente conversava com ela. Ontem mesmo eu conversei com ela, e ela disse: ‘Carla, essa casa não está boa’. Eu falei: ‘Mulher, vê se tu arruma, dá um jeito de ajeitar ela’. Ela disse: ‘Não, Clédia, vou comprar as madeiras, vou comprar uma haste para poder botar ali e morar ali, né?’. Porque o homem só tinha trabalhado uns 10 dias. O seu Dair já tinha até avisado para ela que a casa também não estava muito boa. Mas uma mãe com oito filhos não tem ajuda de ninguém. A população ajudava, mas muitas vezes também criticava. Como ela foi muito criticada, né? A gente tentava ajudar o máximo que podia.