- Francisco das Chagas Chaves da Silva, líder da XtremeTrader, assumiu responsabilidade pela falência da empresa e negou ter fugido da polícia.
- Ele se entregou em julho após receber mandados de prisão e afirmou ter saído de Teresina por medo de represálias, não por fuga.
- Kayra Cardoso Guimarães, namorada de Francisco, permanece foragida e está na lista de procurados da Interpol desde janeiro.
- Francisco alegou que todos os recursos da empresa eram seus e que os colaboradores presos não tinham responsabilidade sobre a falência.
- A empresa operava sem autorização da CVM e teria causado prejuízo de mais de R$ 600 milhões a investidores no Piauí e Maranhão.
Em um vídeo obtido com exclusividade pela coluna, Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como "Pagode do Chico", apontado pela Polícia Civil como líder do esquema de pirâmide financeira da empresa ‘XtremeTrader’ no Piauí, alegou que não estava foragido e assumiu a responsabilidade pelas operações e pela falência da empresa.
O QUE ELE DISSE?
Após se entregar no dia 22 de julho deste ano, Francisco afirmou, em pronunciamento, que em nenhum momento esteve foragido da polícia anteriormente, justificando que, no início, não havia mandado de prisão contra ele. Segundo ele, saiu de Teresina por medo de represálias.
Eu só realmente saí da cidade onde eu morava por questão de represálias. Me protegi devido as ameaças, inclusive no início de toda investigação eu prestei depoimento de forma online ao delegado da investigação, o qual me ouviu. Respondi todas perguntas do mesmo e falei que estaria 100% disponível para qualquer esclarecimento, disse.
O investigado ainda disse que, assim que tomou conhecimento dos mandados de prisão expedidos contra ele e sua namorada, Kayra Cardoso Guimarães, e da prisão de dois colaboradores da empresa, decidiu se apresentar às autoridades.
Durante a fala, Francisco ainda assumiu que a falência da empresa foi culpa dele e retirou a responsabilidade de sua companheira. Conforme ele, Kayra não tinha qualquer relação com as negociações da Xtreme, não sabia como a empresa funcionava e não usufruiu de nenhum valor financeiro.
Automaticamente eu fui me apresentar aos delegados para eu me apresentar pessoalmente para esclarecer tudo, até porque, é, como eu falei anteriormente eu não estava foragido, simplesmente protegendo, é, a minha vida e a vida dos meus familiares. A partir do momento que eu tive ciência de tudo, eu me disponibilizei e prontamente fazer isso. Quero ressaltar também pessoal, que eu era a única pessoa da Xtreme, eu que operava, eu que fazia a gestão, então toda responsabilidade sobre a empresa é minha, se ela veio à falência, eu sou responsável, pontuou.
Sobre os colaboradores presos, o suspeito declarou que ambos não têm responsabilidade sobre a empresa.
O Wellison que foi preso, uma pessoa que confiava em mim e, é, e falava da empresa por amizade, por confiar na minha pessoa. O Igor também, é, operava na Xtreme por confiança em mim, então não tem responsável além de mim. É uma falência empresarial que ela será esclarecida no decorrer das investigações, eu espero que dê tudo certo, disse.
INVESTIGAÇÕES E FUGA
Apesar da versão apresentada por Francisco, ele era procurado internacionalmente desde 2025. Seu nome já constava na lista de procurados da Interpol desde janeiro, totalizando sete meses de buscas. Kayra Cardoso Guimarães permanece foragida e com o nome mantido na lista da Interpol.
Francisco das Chagas Chaves da Silva é investigado por um esquema de pirâmide financeira que teria causado um prejuízo de mais de R$ 600 milhões a investidores no Piauí e no Maranhão. Ele se entregou no dia 22 de julho deste ano.
Em coletiva de imprensa, o delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), revelou que Chico fugiu inicialmente para São Paulo e, posteriormente, deixou o Brasil por via terrestre, seguindo para o exterior.
Ele estava no Paraguai desde o início. É certo que deixou São Paulo por via terrestre, atravessou a fronteira e permaneceu em Ciudad del Este. Esse trajeto foi confirmado pela polícia. Ele não confirmou que atuava em parceria com outro trader no Paraguai. No entanto, afirmou que estava, sim, trabalhando como trader, mas utilizando recursos próprios. Segundo ele, ainda possuía um capital remanescente, que seria de sua propriedade, e utilizava esses recursos para operar no mercado financeiro e se manter em Ciudad del Este, disse o delegado.
Ele teria supostamente prometido rendimentos mensais de até 10% aos investidores da Xtreme Trader. A promessa de lucro fácil atraiu empresários, influenciadores e profissionais, que aplicaram valores entre R$ 20 mil e R$ 5 milhões.
Em setembro de 2025, a Polícia Civil do Piauí deflagrou a Operação Extrema Confiança contra o grupo, com cumprimento de mandados em Teresina (PI) e Timon (MA). A empresa operava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).