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“Pagode do Chico” pagava rendimentos com dinheiro das próprias vítimas, diz delegado

Investigação aponta que empresário não fez operações na Bolsa e usava novos aportes para sustentar pagamentos de até 10% aos investidores

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  • Delegado afirma que rendimentos da Xtreme Trader eram financiados com dinheiro das vítimas.
  • B3 informa que Francisco não operou na Bolsa durante o período investigado.
  • Investigação revela que parte dos recursos era transferida para conta pessoal de Francisco.
  • Empresa funcionava como fachada para atrair investidores com promessas de altos rendimentos.
  • Policia deflagrou operação em 2025 e prendeu dois investigados ligados ao esquema.
Francisco das Chagas Chaves da Silva, o “Pagode do Chico” e namorada, Kayra Cardoso Guimarães | Foto: Reprodução // Meio News

Escrito por Pedro Jackson

O delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), afirmou que os supostos rendimentos pagos pela Xtreme Trader, empresa investigada por operar um esquema de pirâmide financeira, eram bancados com o próprio dinheiro investido pelas vítimas.

Segundo a investigação, Francisco das Chagas Chaves da Silvaconhecido como “Pagode do Chico”, não realizou operações na Bolsa de Valores durante o período em que esteve à frente da empresa, apesar de prometer aos clientes rendimentos mensais de até 10%.

A constatação foi reforçada após a B3, responsável pela Bolsa de Valores brasileira, responder a um questionamento da polícia em 2026 e informar que Francisco não havia negociado ações no período investigado.

“A Bolsa disse que ele não operou e não negociou nenhuma ação durante o período em que ele estava na Xtreme”, afirmou o delegado.

Rendimentos vinham do dinheiro dos investidores

De acordo com Luciano Alcântara, a análise do fluxo financeiro levou a polícia a concluir que os valores pagos aos clientes não eram compatíveis com os supostos rendimentos obtidos em investimentos.

A investigação aponta que parte do dinheiro depositado pelas vítimas era retirada por Francisco e transferida para sua conta pessoal, sob a justificativa de que faria aplicações em seu próprio CPF. Depois, os valores eram enviados para uma corretora.

Segundo o delegado, a movimentação servia para dar aparência de legitimidade às operações.

“Ele utilizava a empresa de fachada para receber os valores das vítimas. Parte desse valor, o Francisco retirava para a conta pessoal, com a alegação de que faria as aplicações em seu CPF”, explicou.

A polícia afirma ainda que, desde o início das investigações, havia indícios de que as movimentações financeiras não seriam suficientes para sustentar os pagamentos prometidos à quantidade de investidores.

Empresa teria sido criada para sustentar o esquema

Para o delegado, a dinâmica identificada indica que o esquema teria sido estruturado desde a criação da Xtreme Trader.

A empresa, segundo Alcântara, funcionava como uma fachada formalizada na Junta Comercial, utilizada para transmitir credibilidade aos clientes.

“Isso faz com que a gente chegue à conclusão de que o crime foi orquestrado desde o início, quando ele montou a empresa. Uma empresa de fachada, com registro na Junta Comercial, para que as vítimas acreditassem naquela empresa”, afirmou.

A Xtreme Trader prometia retornos mensais de até 10%. Os primeiros pagamentos, associados à ostentação de Francisco nas redes sociais, ajudaram a atrair novos investidores.

Os aportes, segundo as investigações, variavam de R$ 20 mil a R$ 5 milhões e envolveram empresários, influenciadores e outros investidores.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, os clientes recebiam informes digitais que indicavam supostos rendimentos de seus investimentos. Entretanto, a polícia não identificou operações na Bolsa que justificassem os valores apresentados.

Além dos pagamentos, o grupo teria criado mecanismos para dificultar a retirada do dinheiro, como contratos com períodos de carência e incentivos para novos aportes.

Com a promessa de ganhos elevados, algumas vítimas teriam vendido bens e até adiado procedimentos de saúde na expectativa de receber os rendimentos prometidos.

Polícia deflagrou operação em 2025

A Polícia Civil deflagrou, em setembro de 2025, a Operação Extrema Confiança, com mandados de busca e apreensão em Teresina (PI) e Timon (MA). Dois investigados ligados ao esquema foram presos posteriormente.

Segundo a polícia, a Xtreme Trader atuava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Francisco e Kayra Cardoso, também investigada no caso, teriam fugido para o Paraguai após o início das investigações. A localização dos dois chegou a ser divulgada pela imprensa paraguaia.

Francisco posteriormente se entregou às autoridades. Kayra permanece com mandado de prisão pendente e é procurada internacionalmente pela Interpol.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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