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“Pagode do Chico” nunca investiu na Bolsa de Valores e golpes foram premeditados, diz delegado

A Polícia Civil concluiu que o suspeito, investigado por suposta pirâmide financeira, nunca comprou ou negociou ações durante o período em que atuou na Xtreme Trader.

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  • Polícia Civil indiciou Francisco das Chagas Chaves da Silva, acusado de comandar esquema de pirâmide financeira via Xtreme Trader.
  • Investigação revelou que suspeito nunca investiu na Bolsa de Valores, como alegava, e usava empresa de fachada para enganar vítimas.
  • Delegado afirma que valores das vítimas eram transferidos para conta pessoal do suspeito e corretora, para dar autenticidade às transações.
  • Operação Extrema Confiança deflagrada em 2025 resultou na prisão de dois investigados, enquanto Kayra Cardoso permanece em fuga.

Texto por Maria Albuquerque

A Polícia Civil indiciou Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Pagode do Chico”, investigado por comandar um suposto esquema de pirâmide financeira por meio da Xtreme Trader. As investigações revelaram que o suspeito nunca chegou a investir na Bolsa de Valores, como alegava aos clientes.

'Pagode do Chico' sendo preso - Foto: José Augusto/TV Meio Norte

A informação foi confirmada pelo delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

Já em 2026, a Bolsa de Valores do Brasil respondeu a um questionamento que tínhamos feito sobre as operações realizadas pelo Francisco e confirmou aquilo que a gente já tinha visto nas movimentações financeiras. A Bolsa disse que ele não operou e não negociou nenhuma ação durante o período em que ele estava na Xtreme, afirmou.

De acordo com o delegado, os golpes aplicados teriam sido orquestrados desde o início da empresa, que prometia rendimentos mensais de até 10% aos investidores.

Isso faz com que a gente chegue à conclusão de que o crime foi orquestrado desde o início, quando ele montou a empresa. Uma empresa de fachada, com registro na Junta Comercial, para que as vítimas acreditassem naquela empresa, completou o delegado.

Alcântara afirmou que os valores investidos pelas vítimas eram transferidos, em parte, para a conta pessoal do suspeito e para uma corretora, a fim de dar autenticidade às transações e não levantar suspeitas.

A dinâmica que investigamos foi seguir o fluxo do dinheiro. Ele utilizava a empresa de fachada para receber os valores das vítimas. Parte desse valor, o Francisco retirava para a conta pessoal, com a alegação de que faria as aplicações em seu CPF. Ele tira esse valor e manda para a corretora, que era a intermediária, confirmou o delegado.

O delegado disse que, durante as investigações sobre os fluxos financeiros de Francisco, foi detectado que as movimentações não eram condizentes com os valores que ele repassava aos investidores.

Ao iniciarmos as investigações, já tínhamos indícios de que os valores que ele repassava para as vítimas não eram suficientes, pelo que ele já tinha de movimentação, para pagar esses rendimentos para essa quantidade de vítimas, finalizou.

RELEMBRE O CASO

Francisco das Chagas é investigado por comandar um suposto esquema de pirâmide financeira por meio da Xtreme Trader, empresa que prometia rendimentos mensais de até 10% aos investidores.

A promessa de altos lucros, somada aos primeiros pagamentos realizados e à ostentação nas redes sociais, levou empresários, influenciadores e outros investidores a aplicarem valores que variavam de R$ 20 mil a R$ 5 milhões.

Em setembro de 2025, a Polícia Civil deflagrou a Operação Extrema Confiança, cumprindo mandados de busca e apreensão em Teresina (PI) e Timon (MA). Posteriormente, dois investigados ligados ao esquema foram presos.

Segundo as investigações, a Xtreme Trader atuava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A polícia sustenta que Francisco e Kayra fugiram para o Paraguai após o início das investigações. A localização do casal no país vizinho chegou a ser divulgada pela imprensa paraguaia.

Com a entrega de Francisco, Kayra Cardoso permanece como a única investigada com mandado de prisão pendente, sendo procurada internacionalmente por meio da Interpol.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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