- Empresário Francisco das Chagas Chaves, conhecido como "Pagode do Chico", deve se entregar na próxima semana após decisão conjunta com namorada.
- Operação Extrema Confiança deflagrada em setembro de 2025 investigou esquema de pirâmide da Xtreme Trader, que causou prejuízo superior a R$ 600 milhões.
- Chico e namorada, alvos de mandado de prisão, teriam sido localizados em academia em Ciudad del Este após repercussão internacional da investigação.
- Empresário investigado por enganar 400 pessoas e lucrar mais de R$ 80 milhões com promessa de rendimentos mensais de até 10%.
- Caso gerou destaque internacional, com destaque na imprensa paraguaia e na rádio La Clave, além de estar na lista vermelha da Interpol.
TEXTO DE SAYMON LIMA
Foragido desde 2025, quando a Polícia Civil do Piauí desarticulou um esquema de pirâmide financeira ligado à empresa Xtreme Trader, o empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como "Pagode do Chico", deve se entregar na próxima semana. A informação foi comunicada pela defesa ao delegado Luciano Alcântara na tarde desta sexta-feira (17) e obtida pela coluna.
Chico e a namorada, Kayra Cardoso Guimarães, que também é alvo de um mandado de prisão, teriam decidido se entregar após a repercussão internacional nesta semana da Operação Extrema Confiança, deflagrada em 18 de setembro de 2025 contra os investigados em Teresina (PI) e Timon (MA). Os noticiários enfatizaram nos foragidos.
O último passo dado pelo casal teria sido em uma academia em Ciudad del Este. Para ajudar na investigação, a imprensa do Paraguai deu amplo destaque para essa investigação que é considerada, até o momento, o maior prejuízo financeiro já identificado no Piauí, ultrapassando os R$ 600 milhões.
OPERAÇÃO EXTREMA CONFIANÇA
À época, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados a sócios da Xtreme Trader, em Teresina (PI) e em Timon (MA). Duas pessoas foram presas: Elison Araújo Abreu e Igor de Sousa Silva.
Chico é investigado por enganar ao menos 400 pessoas e lucrar mais de R$ 80 milhões com a “Xtreme Trader”. O caso veio à tona após denúncias de vítimas em junho de 2025.
Através da empresa “Xtreme Trader”, o empresário prometia rendimentos mensais de até 10% aos investidores. A proposta de lucro fácil, sustentada por aparente regularidade nos primeiros repasses e pela ostentação dele nas redes sociais, fez com que várias pessoas - entre empresários, influenciadores e profissionais - investissem valores que variavam de R$ 20 mil até R$ 5 milhões.
Em entrevista em junho de 2026, o delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) do Piauí, revelou que, no início das investigações, o empresário chegou a manter contato com a polícia, mas alegou temer pela própria segurança.
A “Xtreme Trader” operava sem observar as regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
A caçada foi destaque no Grupo Vanguardia na manhã desta quinta-feira (16), além disso, o delegado Luciano Alcântara, foi entrevistado na Rádio La Clave. “Em fevereiro de 2026, enquanto as investigações estavam em andamento, tivemos a informação de que Francisco e Kayra estariam fazendo musculação em Ciudad del Este”, afirmou o delegado à rádio.
O “Diario Vanguardia” estampou na manchete da primeira capa do jornal diário o caso: “Pareja de brasilenõs habría estafado G. 1.000 millones a una empresaria” (Casal de brasileiros teria aplicado um golpe de G$ 1 bilhão contra uma empresária).
As investigações apontam que Chico e Kayra já estão na lista vermelha da Interpol.