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Investigação da DF Group pode revelar esquema de aliciamento de fiéis para investimentos, denunciam vítimas

As denúncias apontam que líderes religiosos de igrejas localizadas nos bairros Piçarra e Pedra Mole teriam indicado investidores para traders.

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  • Investigação da DF Group revela esquema que usava influência religiosa para atrair investidores em Teresina.
  • Pastores de duas denominações em Piçarra e Pedra Mole indicavam fiéis para traders que também eram líderes religiosos.
  • Grupo "Descendência", ligado ao "G12", usava cultos para apresentar o empresário Douglas Fonseca como promotor da DF Group.
  • Mais de 100 investidores, incluindo pessoas de baixa renda, aplicaram recursos na DF Group, alguns vendendo bens para participar.
  • Pastores como Lucas Coutinho e Jaquenilson Alvino são acusados de usar discursos de prosperidade para enganar fiéis.
CEO da DF Group | Reprodução

A investigação envolvendo a DF Group, que já resultou na prisão de 11 pessoas, pode revelar um esquema ainda mais amplo, envolvendo o uso da influência religiosa para atrair investidores. Segundo relatos de vítimas, pastores de pelo menos duas denominações religiosas em Teresina teriam incentivado fiéis a realizar aportes financeiros na empresa, utilizando discursos de prosperidade e confiança.

As denúncias apontam que líderes religiosos de igrejas localizadas nos bairros Piçarra e Pedra Mole teriam indicado investidores para traders que também exerciam funções de liderança dentro dessas denominações. Os fiéis afirmam que informações sobre a vida pessoal e, em alguns casos, momentos de fragilidade emocional foram utilizadas para convencê-los a investir.

De acordo com os relatos, muitos participavam de um grupo chamado "Descendência", liderado por pastores ligados ao chamado "G12", um conselho formado por lideranças da igreja. Um desses grupos era conduzido pelo trader e pastor Lucas Coutinho, alvo da operação policial, que se apresentou à Polícia Civil na última sexta-feira, na Central de Flagrantes.

Segundo as vítimas, Lucas Coutinho deixou a antiga igreja da qual fazia parte, na região da Piçarra, após divergências internas, e passou a atuar em outra denominação religiosa localizada no bairro Pedra Mole, na zona Leste de Teresina. Ainda conforme os relatos, ele teria mantido a mesma forma de abordagem para atrair novos investidores.

Culto teria servido para apresentar empresário

Os fiéis afirmam ainda que, após conquistar a confiança dos membros da igreja, lideranças da denominação religiosa da Piçarra convidaram o empresário Douglas Fonseca para participar de um culto. Durante a reunião religiosa, ele teria pregado sobre prosperidade financeira e apresentado a proposta de investimentos da DF Group.

"Foi tudo uma armadilha. A igreja da qual eu fazia parte entrou em peso nessa situação. Eu sabia que não era possível ganhar 10% de lucro ao mês, mas acabei investindo depois que os pastores me incentivaram", relatou um fiel, que pediu para não ser identificado.

Suspeitas desde a época da Telexfree

As denúncias também apontam que o vínculo entre lideranças religiosas e investimentos de alto rendimento não seria recente. Segundo alguns fiéis, pastores já promoviam modelos semelhantes desde 2013, durante o auge da Telexfree em Teresina.

"Eu me afastei da igreja por causa desse comportamento dos pastores. Um deles, inclusive, é envolvido com política e se comportava como um pai para nós, mas era apenas uma forma de conquistar nossa confiança. O estopim foi quando esse pastor, que é casado e lidera uma igreja em Teresina, teria se aproveitado da fragilidade de uma fiel, que acabou engravidando. Foi quando percebi que havia muitas coisas erradas. Recentemente, durante um culto, ele atacou a imprensa e a Polícia, dizendo que tudo fazia parte de uma perseguição do inimigo", afirmou outro ex-integrante da denominação.

Mais de 100 investidores

Segundo os relatos, mais de 100 pessoas ligadas à denominação religiosa teriam investido recursos na DF Group. Os líderes priorizavam empresários, mas também incentivavam pessoas de menor poder aquisitivo a participar, aceitando aportes iniciais a partir de R$ 1 mil.

"Teve gente que fez empréstimos bancários. Outros venderam casas e carros para investir. Eu mesmo apliquei R$ 120 mil e agora não sei como recuperar esse dinheiro", lamentou uma das vítimas.

Pastor preso também é alvo de críticas

Outro investigado na operação é o pastor Jaquenilson Alvino de Sousa Abreu, que também foi preso durante a ação policial. Ex-fiéis afirmam que ele teria participado da divulgação da Telexfree dentro da igreja e também de outro empreendimento conhecido como "Voip", apontado à época como um esquema de pirâmide financeira no Piauí.

"Ele visitava diversas igrejas realizando palestras sobre prosperidade financeira, mas, na verdade, estava nos convencendo a investir", afirmou uma das vítimas.

Polícia não descarta novas fases da operação

Em entrevista ao programa Bom Dia Meio Norte, o delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas (SOI), afirmou que as investigações continuam para identificar outras possíveis ramificações do esquema.

"As vítimas precisam registrar boletins de ocorrência para fortalecer a investigação. Se surgirem novos indícios, não tenho dúvidas de que novas fases da operação serão deflagradas", declarou o delegado.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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