A Polícia Civil segue investigando o grupo criminoso suspeito de aplicar golpes por meio da venda de falsas cartas de crédito supostamente contempladas. O empresário Ricardo Dias de Sousa, apontado como um dos envolvidos no esquema, é proprietário de uma empresa investigada por estelionato em Teresina.
Segundo as autoridades, o suspeito já é conhecido da Justiça há anos, e os prejuízos causados às vítimas ultrapassam R$ 1 milhão. Ricardo também é dono de uma empresa de consórcios e atua como representante de uma empresa nacional, a Multimarcas Consórcio. Contra ele, há pelo menos quatro inquéritos em andamento, todos relacionados a práticas criminosas semelhantes.
As investigações apontam que o esquema consistia na venda de supostas cartas de crédito já contempladas, induzindo as vítimas a acreditarem que receberiam os valores prometidos em curto prazo. No entanto, na prática, os clientes assinavam apenas contratos comuns de consórcio, sem qualquer garantia de contemplação imediata. O empresário oferecia a promessa de liberação do crédito em até 15 dias, prazo que não era cumprido.
Além de Ricardo Dias de Sousa, o vendedor Luiz Eduardo da Silva Rocha também foi indiciado no inquérito, conduzido pelo delegado Sérgio Alencar. Novas informações obtidas com exclusividade pela reportagem revelam que o líder da organização criminosa atua nos estados do Piauí e do Maranhão há cerca de dez anos. Inicialmente, ele teria tentado abrir uma empresa em Teresina, sem sucesso. Em seguida, passou a atuar em Parnaíba e, posteriormente, estabeleceu atividades na cidade de Timon (MA).
Foi em Timon que o líder do grupo conseguiu recrutar outras pessoas para integrar o esquema, entre elas Ricardo Dias de Sousa. As investigações também indicam que a esposa do líder teria participação ativa nas ações criminosas. Uma empresária do ramo de moda feminina também teria sido cooptada para integrar o grupo.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o rápido aumento do patrimônio do líder da organização. Em curto período de atuação em Timon, ele teria adquirido veículos de alto padrão, além de jet ski e lancha.
A Polícia apurou ainda que o esquema funcionaria como um “negócio de família”, já que um dos irmãos do líder também teria participação direta nas fraudes.
Em relação às vítimas, uma assessora da Prefeitura Municipal de Timon teria registrado prejuízo de aproximadamente R$ 10 mil. Um empresário do setor de apostas online também foi identificado como vítima do grupo criminoso. Há ainda suspeitas de possível ligação do grupo com agiotas colombianos que foram alvos de duas operações da Secretaria de Segurança Pública no fim do ano passado. As investigações seguem em andamento.
Uma das vítimas, que não quis se identificar, relatou à reportagem que teve prejuízo estimado em R$ 10 mil. Segundo ela, o golpe seguia sempre o mesmo padrão. “[Disseram que eu] pagaria a entrega com contemplação imediata. Participarei de duas assembleias e teria o vale da carta na conta. Paguei R$ 22 mil, mas depois fui até a empresa em outubro, reclamei, disse que chamaria a imprensa e eles me devolveram R$ 10 mil. Quero o restante de volta”, afirmou.