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Golpe das cartas de crédito: quem é Arnaldo Filho, novo preso em esquema milionário

O grupo criminoso prometia acesso rápido ao crédito mediante o pagamento de valores iniciais, apresentados como uma espécie de “entrada”, mas acabava enganando os clientes

Arnaldo Pereira da Silva Filho atuava como supervisor da loja “Multimarcas Consórcios” | Reprodução

A Polícia Civil do Piauí retirou de circulação mais uma peça-chave do esquema milionário de golpes envolvendo a venda fraudulenta de cartas de crédito, que já fez centenas de vítimas no Piauí e no Maranhão. O grupo criminoso prometia acesso rápido ao crédito mediante o pagamento de valores iniciais, apresentados como uma espécie de “entrada”, mas acabava enganando os clientes.

Em Teresina, diversos boletins de ocorrência já foram registrados no Distrito Policial da região Central, com relatos de prejuízos financeiros e promessas não cumpridas.

PRISÕES REALIZADAS 

Na semana passada, o empresário Ricardo Dias de Sousa, apontado como um dos principais articuladores do esquema, foi preso. Já na manhã desta quinta-feira (15), a polícia prendeu Arnaldo Pereira da Silva Filho, que atuava como supervisor da loja “Multimarcas Consórcios”, também conhecida como “Dias Prime”, em Parnaíba — empresa pertencente a Ricardo Dias.

De acordo com a investigação, Arnaldo exercia papel fundamental na manutenção do esquema. Ele orientava os vendedores a convencer os clientes a investir nas supostas cartas de crédito contempladas, reforçando a promessa de liberação do recurso em curto prazo. Quando os clientes retornavam à loja reclamando do descumprimento dos prazos, Arnaldo intervinha, alegando que os funcionários haviam repassado informações equivocadas. Segundo a polícia, ele humilhava os trabalhadores, atribuía a eles a responsabilidade pelos problemas e chegava a ameaçar demissões.

A Polícia Civil apura ainda se parte dos funcionários tinha conhecimento prévio do funcionamento fraudulento do esquema. Arnaldo foi preso no momento em que compareceu à delegacia para prestar depoimento, mas já havia contra ele um mandado de prisão expedido pela Justiça.

700 VÍTIMAS 

Somente em Parnaíba, a polícia estima que o grupo criminoso tenha feito cerca de 700 vítimas, com um prejuízo financeiro que pode chegar a R$ 4 milhões.

Arnaldo trabalhava com Ricardo Dias de Sousa há aproximadamente três anos, com atuação em Parnaíba, Teresina e Timon (MA). As investigações indicam que ambos iniciaram as atividades na cidade maranhense, ficando Arnaldo responsável pela abertura e supervisão da unidade em Parnaíba. Além dele, a noiva de Arnaldo também exercia função de supervisão dentro da empresa e está sendo investigada, assim como um coordenador geral das empresas no Nordeste, um empresário residente em São Luís (MA) e outros dois supervisores.

As apurações também avançam sobre o núcleo financeiro do grupo criminoso. Uma familiar de Ricardo Dias, apontada como responsável por essa área, teria pedido desligamento do esquema. Antes da prisão do empresário, integrantes do grupo chegaram a se reunir para lançar promoções e incentivar os funcionários a permanecerem na empresa, mesmo diante das denúncias.

A loja de Parnaíba foi fechada nesta quinta-feira, e há suspeita de que não volte a funcionar.

INVESTIGAÇÃO SEGUE 

O delegado Sérgio Alencar, responsável pelo inquérito, afirmou que a investigação segue em ritmo acelerado. “Novas prisões serão realizadas nos próximos dias”, garantiu. Segundo ele, as informações estão sendo compartilhadas com as polícias de Parnaíba, Timon (MA) e São Luís (MA), reforçando o caráter interestadual da organização criminosa.

Em Timon (MA), o esquema também fez diversas vítimas, entre elas um empresário do ramo de apostas online e uma servidora pública da Prefeitura Municipal.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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