- Residência no Monte Castelo era usada como central de golpe SIM Swap em operação deflagrada nesta quarta-feira.
- Grupo oferecia dinheiro e vantagens para cooptar pessoas e obter dados pessoais e biometria facial.
- Local era conhecido no submundo do crime e já havia sido alvo de tiroteio, pertence a Rosana Rodrigues.
- Golpe envolvia clonagem de contas, fraudes bancárias e uso de IA para manipular identidade digital.
- Operação resultou em 10 detenções, apreensão de celulares e computadores, e investigação de novas vantagens oferecidas.
Uma residência localizada no bairro Monte Castelo, na zona Sul de Teresina, era utilizada como central operacional de um suposto esquema criminoso investigado na Operação Chip Falso, deflagrada nesta quarta-feira (15). O local, chamado de "casa da fraude" pela policia, era usado para atrair pessoas e realizar o golpe conhecido como SIM Swap.
Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado Humberto Márcola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), informou que no imóvel eram realizados eventos para cooptar pessoas, onde o grupo oferecia dinheiro para que terceiros fornecessem CPF e biometria facial.
Várias pessoas sabiam que funcionava, o que funcionava lá, iam para lá. Às vezes eram feitas festas, e nessas festas eram oferecidos valores para que os CPFs fossem, eh, utilizados. A biometria facial também. Não é só o CPF. Então, a pessoa, ela entrava no sistema, o grupo criminoso entrava no sistema da operadora de telefonia, fazia a identificação facial, colocava dentro do sistema de uma forma ilegítima, não autorizada.
Além disso, nos eventos havia a presença de influenciadores digitais como estratégia para atrair mais pessoas. A Polícia Civil investiga quais outras vantagens, além do dinheiro, eram oferecidas pelo grupo para convencer as pessoas a repassarem os dados pessoais. Mais de 100 pessoas emprestaram suas informações.
PROPRIETÁRIA
O delegado destacou que a casa era conhecida no submundo do crime na região e, conforme apurado pela reportagem, já teria sido alvo de um tiroteio recentemente. O imóvel pertence a Rosana Rodrigues da Silva, apontada como a principal articuladora do grupo, mas, segundo familiares, ela já havia se mudado há meses.
Rosana é ex-funcionária de uma empresa de telefonia e teria usado informações privilegiadas sobre os sistemas da operadora para viabilizar o golpe.
O MODUS OPERANDI
De acordo com a Polícia Civil, o golpe consistia na transferência ilegal de linhas telefônicas de clientes legítimos para chips controlados pelos criminosos. Com o acesso aos números das vítimas, o grupo conseguia realizar diversas fraudes, como:
Clonagem de contas de WhatsApp para aplicar golpes, como falso parente e falso advogado;
Invasão de contas bancárias e realização de transferências indevidas;
Compras fraudulentas utilizando dados das vítimas.
O grupo realizava procedimentos para burlar os mecanismos de validação de identidade, prática conhecida como “injeção de selfie”. Para isso, os suspeitos utilizavam:
Documentos falsificados;
Selfies biométricas manipuladas;
Imagens geradas por Inteligência Artificial (IA).
OPERAÇÃO
Com o objetivo de desmantelar uma associação criminosa especializada em fraudes eletrônicas e invasões cibernéticas, foram cumpridas 30 ordens judiciais em Teresina. Ao todo, dez indivíduos foram detidos, e diversos aparelhos celulares e computadores foram apreendidos pelas autoridades.