Há mais de dez anos, o projeto social Força Jovem Mirim une forças coletivas para levar resistência, socialização e cidadania à comunidade da região do Grande Dirceu, zona Sudeste de Teresina.
O impacto social da iniciativa ultrapassou barreiras e já conta com braços de apoio nos municípios de Piripiri e Brasileira. Dessa forma, o Projeto Capoeira Kaluanã e o Projeto Social Força Jovem Mirim, juntos, mantêm cerca de 3 mil integrantes.
O precursor que deu vida ao projeto foi o sargento Salio Caldas, que, a partir do convite de uma colega de farda, decidiu unir o Projeto Força Jovem Mirim ao Kaluanã ainda em 2015. Para ele, a capoeira é uma ferramenta eficaz nos cuidados com a saúde mental:
“A capoeira é muito importante porque ela trabalha justamente a socialização. Ainda mais quando vivemos com o mal do século que é o mal da depressão. Então, a capoeira luta contra isso. A capoeira não é só a parte física, mas também é a parte de se socializar com pessoas, de se sentir bem”, afirmou.
SÍMBOLO DE REPRESENTATIVIDADE
O coordenador também ressaltou que a capoeira não é um simples esporte, mas representa um símbolo da identidade cultural do povo brasileiro.
“A capoeira também é muito importante para a identidade do povo brasileiro. As pessoas precisam conhecer os fundamentos, a sua cultura, de onde veio, o porquê da capoeira ser o único esporte genuinamente brasileiro”, concluiu.
“A ARTE DE SE REINVENTAR”
A história da iniciativa se cruza com a trajetória de um jovem que sempre gostou do esporte. Maxwell Sousa integra o projeto desde 2018, quando o Força Jovem Mirim ainda estava em processo de fusão com o Kaluanã. Desde então, ele nunca mais deixou a capoeira.
“A capoeira se eu pudesse definir seria em resiliência. A arte de se reinventar em meio às dificuldades. A capoeira te ajuda a se reinventar. Em dias que você está mal, você chega aqui e a energia da galera te eleva para cima”, compartilhou.
As mudanças proporcionadas pelo esporte na vida de Jossyara Cacheada também são notórias. Para ela, a capoeira é um espaço seguro, onde todos os problemas podem ser dissipados:
“Eu me sinto leve. Consigo esquecer todos os problemas que estão lá fora e é onde eu me sinto totalmente aberta em fazer o que eu gosto”, afirmou a jovem.
INCLUSÃO QUE INSPIRA
O trabalho desenvolvido no Kaluanã é voltado para todos os públicos, como forma de alcançar e impactar diferentes gerações. Além de contar com uma estrutura equipada, o espaço dispõe de instrutores que tornam o ambiente mais seguro e acolhedor.
O instrutor Gutemberg Bones, em entrevista ao Meio News, refletiu sobre o valor do esporte na vida social e coletiva:
“Eu tento passar o que aprendo para as crianças fazendo o melhor possível. Tanto em conduzir a primeira geração da gente até eles passarem de fato para a nossa turma. Eu já tive vários alunos que passaram por mim primeiro e conseguiram desenvolver e integrar a turma”, explicou
No âmbito pessoal, a prática esportiva faz parte da rotina de Gutemberg: “É uma das principais formas que eu tenho de extravasar um pouco. É um momento de distração. Hoje eu não me vejo sem fazer capoeira”, concluiu.
COMO FUNCIONA O PROJETO?
As atividades acontecem na Vila Coronel Carlos Falcão, ao lado do posto de saúde, com dois turnos disponíveis, distribuídos entre diferentes públicos:
Segunda e quarta-feira — capoeira
- Das 18h às 19h30 -Horário das crianças
- Das 19h30 às 21h — horário dos adultos
Sábados pela manhã — pelotão mirim
- Das 8h às 10h30
Vale lembrar que a prática esportiva é gratuita e tem oferecido oportunidades a jovens de periferias das localidades onde o projeto atua, funcionando como um ponto de resgate de muitas crianças e adolescentes da violência.