- Região do Cânion do Rio Poti oferece turismo ligado à natureza, história e modos de vida do interior do Piauí.
- Parque Estadual Cânion do Rio Poti, criado em 2017, protege 24,7 mil hectares de Caatinga e sítios arqueológicos.
- Visitantes devem ser acompanhados por guias autorizados e respeitar normas de segurança e conservação.
- Capacitação em 2025 envolve 37 moradores para atuar na condução de turistas e promover turismo de base comunitária.
- Secretaria do Turismo e prefeituras buscam integrar serviços locais para ampliar benefícios econômicos do turismo.
Os paredões rochosos, os sítios arqueológicos e as tradições das comunidades do Cânion do Rio Poti integram o potencial turístico de Buriti dos Montes, Castelo do Piauí e Juazeiro do Piauí.
A região oferece passeios ligados à natureza e à história, além de experiências relacionadas aos modos de vida do interior do estado.
Em Buriti dos Montes, parte desse patrimônio está protegida pelo Parque Estadual Cânion do Rio Poti, criado em 18 de outubro de 2017. A unidade de conservação possui aproximadamente 24,7 mil hectares e abrange áreas de Caatinga, recursos hídricos, formações geológicas e sítios arqueológicos.
Os atrativos turísticos, porém, ultrapassam os limites do parque e incluem outras áreas do vale do rio.
O patrimônio arqueológico é um dos elementos que podem integrar os roteiros. Pinturas rupestres e gravuras, conhecidas como petróglifos, registram a presença de antigos grupos humanos na região.
VISITAS ORIENTADAS
As visitas orientadas também podem ser utilizadas em atividades educativas com estudantes e grupos interessados na história e no meio ambiente.
A visitação exige planejamento. Dentro do parque estadual, o acesso aos atrativos deve ocorrer com acompanhamento de guia ou condutor autorizado. Os percursos também precisam respeitar as áreas permitidas, as condições de segurança e a capacidade de atendimento dos prestadores de serviço.
Em agosto de 2025, foi anunciada uma capacitação para 37 moradores da região interessados em atuar na condução de visitantes. A formação contou com a participação da empresa júnior do curso de Turismo da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e abordou segurança, conservação ambiental e turismo de base comunitária.
PARTICIPAÇÃO DE MORADORES NO TURISMO
Para o ecologista, jornalista e mestrando em Arqueologia Dionísio Carvalho, a participação dos moradores é importante para apresentar o patrimônio arqueológico e orientar os visitantes.
“As gravuras rupestres são registros da presença humana neste território e precisam ser conhecidas com orientação. Quando o visitante entende o valor desses sítios, o passeio ganha outra dimensão. A participação dos moradores é fundamental nesse processo, porque eles conhecem os caminhos, a história das comunidades e as mudanças na paisagem”, afirmou.
A integração dos atrativos com serviços de hospedagem, alimentação, transporte e condução de visitantes também pode ampliar os benefícios econômicos do turismo. A articulação entre a Secretaria Estadual do Turismo (Setur), as prefeituras e os empreendedores locais busca conectar os serviços e divulgar as opções de passeios na região.
O secretário estadual do Turismo, Daniel Oliveira, defende que a organização dos roteiros considere os serviços disponíveis nas comunidades para estimular a geração de renda.
“O Cânion do Rio Poti tem condições de atrair visitantes interessados na natureza e na história do Piauí. Para transformar esse potencial em renda, precisamos conectar os atrativos aos serviços da região e valorizar quem trabalha no território. O turista que permanece mais tempo, utiliza a hospedagem, consome nos estabelecimentos locais e ajuda a distribuir os benefícios da atividade”, pontuou o gestor.