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Calor extremo: Defesa Civil mede calor em Teresina após temperaturas chegarem aos 40°C

Capital enfrenta sequência de dias com temperaturas cerca de 4°C acima da média climatológica; Defesa Civil alerta para diferenças entre pontos da cidade e destaca influência das ilhas de calor

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  • Terceira onda de calor no Piauí atinge Teresina com temperaturas próximas dos 40°C.
  • Defesa Civil alerta sobre a necessidade de distribuir sensores em áreas aleatórias.
  • Temperaturas variam entre regiões devido a microclimas e urbanização.
  • População pode contribuir com informações sobre pontos mais quentes da cidade.
  • Redução da vegetação e asfalto intensificam o desconforto térmico em Teresina.
Werton Costa defende a criação de um levantamento detalhado dos pontos de calor de Teresina. | Foto: Reprodução
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Em pleno B-R-O-Bró, período mais quente do ano no Piauí, Teresina enfrenta uma sequência de dias marcados por temperaturas próximas dos 40°C. O calor intenso tem chamado atenção até mesmo para os padrões da capital: segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas estão se mantendo cerca de 4°C acima da média esperada para o período.

Diante do cenário, a Defesa Civil do Piauí acompanha as condições de calor na capital e chama atenção para a forma como as temperaturas são medidas. De acordo com Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, os equipamentos utilizados para registrar a temperatura precisam estar instalados em condições adequadas para que os dados representem de forma mais fiel o comportamento térmico da cidade.

Segundo ele, Teresina possui diferentes microclimas e alguns locais concentram mais calor do que outros. Áreas com grande quantidade de asfalto, pouca vegetação e intensa circulação de veículos podem registrar temperaturas significativamente mais altas do que outras regiões da capital.

“Se você colocar um sensor numa avenida asfaltada sem árvores, ele irá bater 44 graus com facilidade ou até mais. Os sensores precisam ser distribuídos não em áreas de calor, mas em áreas aleatórias. Então, esse tipo de sensor não está marcando a temperatura certa”, explicou.

Temperatura pode variar entre regiões

Werton destaca que registros de 44°C em determinados pontos não necessariamente representam a temperatura de toda Teresina. Segundo ele, a capital possui áreas com ilhas e bolsões de calor, fenômeno relacionado principalmente à urbanização, à concentração de construções e à redução da vegetação.

Apesar das diferenças entre os pontos de medição, o diretor reforça que temperaturas próximas dos 40°C já representam uma situação de calor elevado para a população.

“Ontem foi registrado quatro graus acima da média climatológica. Tanto ontem como hoje, nós estamos mantendo 40 graus sobre a capital. Já é uma temperatura elevada”, afirmou.

Para a Defesa Civil, o acompanhamento precisa considerar não apenas a temperatura registrada, mas também as características de cada região. A intenção é identificar quais áreas apresentam maior exposição ao calor e, consequentemente, onde a população pode estar mais vulnerável aos efeitos do desconforto térmico.

Defesa Civil quer mapa dos pontos mais quentes

Werton Costa defende a criação de um levantamento detalhado dos pontos de calor de Teresina. Segundo ele, um mapa com essas informações permitiria identificar as regiões mais afetadas pelas altas temperaturas e orientar ações específicas.

“O ideal é que a gente tenha um mapa real, detalhado dos pontos de calor em Teresina para dizer em quais áreas específicas as pessoas estão submetidas a um risco maior”, destacou.

O diretor também relaciona o aumento do desconforto térmico à redução da vegetação na cidade. Para ele, a retirada de árvores, tanto por parte da população quanto em intervenções urbanas, contribui para o aumento das temperaturas em determinadas regiões.

“A regra é clara: o teresinense destruiu suas árvores, o poder público destrói as árvores. Se não tiver uma política pública de recomposição da vegetação e mudanças de hábitos, nós teremos cada vez mais pessoas sofrendo desconforto térmico”, afirmou.

População pode informar pontos de calor

A Defesa Civil também orienta que os moradores contribuam com o monitoramento das áreas mais afetadas pelo calor. Por meio do aplicativo “Oia o Risco”, é possível comunicar situações consideradas de risco e indicar a localização onde o problema foi identificado.

Segundo Werton, os registros feitos pela população ajudam o órgão a compreender melhor a distribuição do calor na capital e a identificar regiões que podem apresentar condições diferentes das observadas pelos equipamentos oficiais.

“A população pode comunicar a Defesa Civil sobre situações desagradáveis de calor, comunicar pontos, marcar localizações. Isso nos ajuda a entender onde em Teresina está fazendo mais calor”, explicou.

O diretor reforçou ainda que a Defesa Civil trabalha com o conceito de comunicação de risco, que busca informar a população sobre situações de perigo de maneira clara, orientativa e sem provocar alarde.

“Como nós somos um órgão de Defesa Civil, a gente trabalha com uma metodologia chamada comunicação de risco. A gente tem que comunicar o risco, mas de forma orientadora, esclarecedora e sem alarde”, afirmou.

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