A China ultrapassou os Estados Unidos (EUA) e se tornou a maior investidora mundial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2024, com US$ 1,03 trilhão aplicados, contra US$ 1,01 trilhão dos norte-americanos, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O avanço ocorre enquanto o mundo acompanha missões espaciais como a Artemis II, evidenciando a disputa global pela liderança científica.
Crescimento contínuo
O crescimento chinês é resultado de uma política de longo prazo, com aumento médio de cerca de 10% ao ano nos investimentos em ciência na última década. Apenas em 2024, o país elevou seus aportes em 9,7%, quase o triplo do crescimento registrado pelos Estados Unidos no mesmo período, que foi de 3,4%.
Especialistas apontam que esse desempenho reflete um planejamento estratégico.
“Não é surpresa alguma a China ultrapassar os EUA e chegar à liderança da ciência mundial. É resultado de anos de investimento público e privado”, afirmou a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader.
Liderança em áreas estratégicas
Além dos investimentos, a China também se destaca em áreas como inteligência artificial, biologia sintética, novos materiais e energia. Segundo especialistas, o país já domina grande parte da produção científica global.
“É um domínio absoluto. Cerca de 75% dos estudos nas grandes revistas de ciência são 100% chineses”, afirmou Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Instituto Serrapilheira.
Os dados também mostram que a China respondeu por 29% do crescimento global em P&D desde 2000, superando Estados Unidos e União Europeia.
Produção científica em alta
O avanço chinês também é observado na produção acadêmica. Em 2024, o país superou os EUA em número de publicações científicas indexadas e lidera rankings como o Nature Index, que avalia estudos em periódicos de alto impacto.
No grupo dos artigos mais citados do mundo, a China representa 27,2%, enquanto os Estados Unidos ficam com 24,9%, indicando crescimento não apenas em quantidade, mas também em qualidade das pesquisas.
Patentes e inovação
Outro indicador relevante é o registro de patentes. Desde 2019, a China lidera o número de pedidos internacionais via Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). Em 2023, foram 69.610 solicitações, o equivalente a mais de um quarto do total global.
Esse avanço está ligado à formação de mão de obra qualificada. O país forma cerca de 1,3 milhão de engenheiros por ano, fortalecendo sua base para inovação tecnológica.
Disputa global e projeções
Projeções indicam que, até 2027, apenas o investimento público da China em P&D pode superar o total dos Estados Unidos, mesmo sem considerar o setor privado.
Especialistas destacam que, além do volume de recursos, o diferencial está na integração entre governo, empresas e universidades, o que impulsiona a eficiência do sistema científico.
Mesmo com questionamentos sobre diferenças de custo entre os países, os indicadores consolidam a China como principal potência científica global, ampliando a disputa tecnológica e geopolítica com os Estados Unidos.