- Ministério da Saúde amplia vacinação contra HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos.
- Notificações de violência sexual entre crianças de 0 a 4 anos cresceram mais de quatro vezes entre 2014 e 2024.
- Vacina quadrivalente será aplicada após avaliação de profissionais de saúde em casos de violência sexual.
- Dose aplicada antes dos 9 anos não substitui a vacinação de rotina e não protege contra infecções pré-existentes.
- Estudos acompanham duração da proteção da vacina em crianças menores de 9 anos e possíveis mudanças no esquema.
O Ministério da Saúde recomendou ampliar a vacinação contra o HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos. Até então, a indicação específica para esse grupo começava aos 9 anos e se estendia até os 45. A nova orientação inclui uma faixa etária na qual os registros de violência sexual aumentaram nos últimos anos.
Segundo dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e citados pelo Ministério da Saúde em nota técnica, as notificações de violência sexual entre crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845, em 2024. O número registrado em 2024 é mais de quatro vezes superior ao de uma década antes.
Crianças poderão receber uma dose após avaliação
Pela nova recomendação, meninos e meninas vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos poderão receber uma dose da vacina quadrivalente contra o HPV, após avaliação do serviço ou do profissional de saúde responsável pelo atendimento.
A vacina, porém, não elimina uma eventual infecção pelo HPV adquirida durante a violência sexual. A função da imunização é proteger contra tipos do vírus aos quais a criança ainda não tenha sido exposta e reduzir o risco de infecções em exposições futuras.
Dose antes dos 9 anos não substitui vacinação de rotina
A aplicação feita após um episódio de violência sexual terá tratamento diferente da vacinação prevista no calendário para a população em geral.
Se a criança receber a vacina antes dos 9 anos, a dose não será considerada parte do esquema básico. Quando atingir a idade prevista para a vacinação de rotina, deverá ser imunizada novamente conforme o calendário vigente.
No caso de crianças que já tenham sido vacinadas contra o HPV, a ocorrência de violência sexual não indica automaticamente a aplicação de uma nova dose.
Estudos ainda acompanham duração da proteção
Segundo a especialista citada na orientação, ainda não existem estudos específicos sobre o uso de uma única dose em menores de 9 anos nas mesmas condições avaliadas para as faixas etárias atualmente contempladas pelo calendário.
A resposta imunológica das crianças é considerada boa, mas a duração da proteção ainda é uma questão acompanhada pelos pesquisadores. Por isso, a dose aplicada devido à situação de maior risco não substitui a vacinação de rotina a partir dos 9 anos.
O acompanhamento das crianças vacinadas deverá contribuir para avaliar, nos próximos anos, por quanto tempo a imunidade proporcionada por uma dose permanece nessa faixa etária e se será necessário alterar o esquema de vacinação.