- Relatório final da queda do voo 2283 da Voepass revela falha no limpador de para-brisa impediu decolagem em chuva.
- Investigador afirma que aeronave não poderia ter sido liberada para voar em condições meteorológicas adversas.
- Sistema de degelo das asas apresentou falhas em voos anteriores, mas não foi registrado no diário de bordo.
- Cenipa analisou mais de mil voos para identificar fatores que contribuíram para a tragédia aérea.
- Voo 2283 caiu em Vinhedo (SP) em 9 de agosto de 2024, matando 62 pessoas, o pior acidente aéreo do Brasil desde 2007.
O relatório final da investigação sobre a queda do voo 2283 da Voepass, apresentada nesta quinta-feira (23) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), revelou que a aeronave envolvida no acidente não poderia ter sido liberada para decolagem caso houvesse previsão de chuva. O motivo era uma falha já conhecida no sistema do limpador de para-brisa. As informações foram apresentadas pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador responsável pela apuração do caso. Segundo ele, a restrição operacional impedia o despacho da aeronave em condições meteorológicas desfavoráveis. "A aeronave não poderia ter previsão de decolagem se houvesse previsão de chuva uma hora antes e uma hora depois após a previsão da decolagem. Isso também valia para o horário estimado de pouso para a decolagem de destino ou na localidade da alternativa", disse Fróes. Em seguida, o investigador reforçou que a falha identificada era incompatível com a operação naquele cenário. "Não poderia ter sido despachado a aeronave nesse horário em virtude da falha no limpador de para-brisa", completou. Durante a apresentação do relatório, o Cenipa também informou que a aeronave registrou problemas no sistema de degelo das asas em dois voos realizados na véspera da tragédia. De acordo com a investigação, a tripulação responsável por essas operações — diferente da que conduziu o voo do acidente — não registrou a ocorrência no diário de bordo. Conforme explicou Fróes, em um voo entre Guarulhos e Ribeirão Preto, o sistema responsável por remover o gelo acumulado nas asas apresentou falha, mas a situação não foi oficialmente comunicada à equipe de manutenção. "A tripulação deveria ter relatado no diário de bordo essa falha para que a manutenção, após o pouso, pudesse verificar o que estava acontecendo com o sistema. O que a comissão verificou é que após o pouso em Ribeirão Preto, na noite anterior, essa falha não foi registrada no diário de bordo da aeronave", disse Fróes. Para elaborar o relatório final, o Cenipa examinou 1.206 voos realizados pela aeronave entre agosto de 2023 e a data do acidente. O documento reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB), com o objetivo de identificar os fatores que contribuíram para a queda do avião. O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024, em um condomínio na cidade de Vinhedo (SP), enquanto fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e o Aeroporto de Guarulhos (SP). As 62 pessoas que estavam a bordo, 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. A tragédia foi considerada o acidente aéreo mais grave registrado no Brasil desde o desastre com o voo da TAM, ocorrido em 2007.Sistema de degelo apresentou falhas antes do acidente
Investigação analisou mais de mil voos
Relembre o acidente