A reconstrução da Faixa de Gaza pode exigir cerca de US$ 71,4 bilhões (aproximadamente R$ 355 bilhões) ao longo dos próximos dez anos. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (20/4) em um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas e da União Europeia, com apoio do Banco Mundial.
O documento aponta que o território sofreu um retrocesso significativo em seu desenvolvimento humano, com perdas equivalentes a mais de sete décadas de avanços sociais e econômicos. Apenas na fase inicial de recuperação, que abrange cerca de 18 meses, seriam necessários US$ 26,3 bilhões (R$ 130,7 bilhões) para restabelecer serviços essenciais, reconstruir estruturas básicas e estimular a economia local.
Os números levam em conta os impactos do conflito iniciado após os ataques do Hamas contra Israel, em outubro de 2023. Desde então, os prejuízos materiais são estimados em US$ 35,2 bilhões (R$ 175 bilhões), além de cerca de US$ 22,7 bilhões em perdas econômicas e sociais.
Diversos setores foram amplamente atingidos, como habitação, saúde, educação, comércio e agricultura. Mais de 371 mil residências foram danificadas ou destruídas. Metade das unidades hospitalares está fora de funcionamento, enquanto quase todas as escolas apresentam algum nível de dano. Como consequência, a economia local sofreu uma retração de aproximadamente 84%.
A crise humanitária também se agravou de forma expressiva. Mais de 60% da população perdeu suas casas, e cerca de 1,9 milhão de pessoas foram forçadas a deixar seus lares. Entre os mais afetados estão mulheres, crianças e grupos em situação de maior vulnerabilidade.
De acordo com autoridades locais, o conflito já resultou em mais de 71 mil mortes e cerca de 171 mil feridos, além de um número ainda indefinido de desaparecidos sob os escombros.