- Candidatos enfrentam dificuldade para iniciar redações em provas como o Enem, mesmo com preparação.
- Problema está na leitura do tema, não na falta de repertório, segundo especialista.
- Identificar o recorte do tema é essencial para definir o problema a ser discutido.
- Transformar o tema em tese exige definir posição e justificativa antes de escrever.
- Proposta de intervenção deve conter cinco elementos para obter pontos na correção.
Uma cena comum se repete a cada edição do Enem e dos vestibulares: o tempo começa a correr, a folha de redação permanece em branco e o candidato, mesmo preparado, não sabe como iniciar o texto. O chamado “branco” pode ocorrer até entre estudantes que dominam o conteúdo das disciplinas.
Segundo Bruno Alvarez, head de Ensino e Inovações na Geekie Educação, o problema geralmente não está na falta de repertório, mas na leitura do tema. É nessa etapa que o candidato precisa identificar exatamente o que está sendo pedido e definir o caminho que a redação seguirá.
Identifique o recorte do tema
Alvarez explica que o tema do Enem apresenta um recorte específico, geralmente marcado por uma palavra abstrata, como “desafios”, “invisibilidade” ou “estigma”. Essa palavra ajuda a definir qual problema deverá ser discutido na redação. Ignorar esse recorte pode fazer com que o candidato escreva sobre o assunto de forma geral, sem responder ao ângulo específico proposto pela prova.
Transforme o tema em uma tese
Depois de compreender o recorte, o próximo passo é transformar a leitura em uma tese. Para o especialista, tese é simplesmente uma frase que apresenta a posição que será defendida no texto. Alvarez sugere testar a estrutura: “vou defender que X, porque A e porque B”. Se o candidato não consegue completar a frase, ainda tem apenas um assunto em mente, e não uma tese definida.
A partir disso, o estudante deve escolher dois argumentos que abordem diferentes aspectos do problema, além de pensar na proposta de intervenção ainda durante o planejamento.
Como construir a introdução
A introdução deve cumprir uma função principal: apresentar o problema e anunciar a tese, sem desenvolver os argumentos. Alvarez recomenda três movimentos: fazer uma contextualização pertinente e sem clichês, apresentar o problema dentro do recorte definido pelo tema e encerrar com a tese. Segundo ele, o ideal é que o parágrafo tenha no máximo cinco linhas.
A contextualização pode utilizar uma informação ou referência que ajude a introduzir o problema. O candidato deve evitar frases prontas, como “desde os primórdios da humanidade”, e delimitar o ângulo específico exigido pela proposta. A tese deve deixar claros os dois eixos que serão desenvolvidos, sem necessariamente indicar a ordem em que aparecerão no texto.
Um argumento por parágrafo
Nos parágrafos de desenvolvimento, a orientação é direta: “um parágrafo, um argumento, nunca dois”. A estrutura deve começar com a apresentação do argumento, seguida da explicação e comprovação da ideia. Por fim, o candidato deve relacionar o argumento ao problema discutido na redação.
As referências utilizadas, como autores, pesquisas, leis ou fatos históricos, precisam ser explicadas. Sem essa relação, o repertório pode funcionar apenas como informação decorativa, sem contribuir para a defesa do argumento.
Proposta de intervenção
A conclusão concentra a proposta de intervenção, que pode representar até 200 pontos na correção da redação. A solução deve apresentar cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. Segundo Alvarez, o detalhamento é um dos elementos que diferenciam uma proposta mais completa.
A intervenção também precisa respeitar os direitos humanos e retomar a tese, sem introduzir um novo assunto no encerramento.
Erros que podem reduzir a nota
Um dos principais problemas é a fuga ou o tangenciamento do tema. Isso ocorre quando o candidato aborda o assunto de maneira ampla, mas deixa de discutir o recorte específico determinado pela prova.
Outro erro que pode comprometer os 200 pontos da proposta de intervenção é não apresentar uma solução para o problema ou indicar uma alternativa sem detalhar como ela poderia ser colocada em prática.
Também pode prejudicar a avaliação o uso de autores, pesquisas, leis ou fatos históricos sem explicação sobre como essas referências sustentam o argumento. Entre os erros de linguagem, o especialista destaca problemas relacionados à crase, concordância e pontuação.
Planejamento antes da escrita
Para Alvarez, grande parte desses problemas pode ser evitada com planejamento antes de escrever e revisão criteriosa depois. Na reta final de preparação para a prova, a recomendação é priorizar o treinamento desse processo, em vez de tentar memorizar novos repertórios poucos dias antes do exame.
Na revisão, o candidato deve verificar parágrafo por parágrafo se o texto permanece dentro do recorte proposto e se continua respondendo diretamente ao que a prova pediu.