- Levantamento revela 3.967 casos de violência contra entregadores em três anos.
- Discriminação foi o tipo mais comum, com 1.720 registros no período.
- São Paulo concentrou 1.154 dos quase quatro mil casos registrados.
- 1.308 casos evoluíram para atendimento especializado com suporte jurídico e psicológico.
- Entregador relatou ter sido atropelado após discussão de trânsito durante uma entrega.
Um levantamento divulgado neste mês revelou que quase quatro entregadores por dia relataram episódios de violência durante o trabalho nos últimos três anos. Entre junho de 2023 e maio de 2026, foram registrados 3.967 casos envolvendo discriminação, ameaças, agressões físicas, violência verbal e violência sexual em uma das principais plataformas de entregas do país.
A discriminação foi o tipo de ocorrência mais frequente, com 1.720 registros. Em seguida aparecem as ameaças, que somaram 1.189 casos, e as agressões físicas, com 860 notificações. Os episódios envolveram clientes, estabelecimentos parceiros e terceiros.
São Paulo lidera o número de ocorrências, concentrando 1.154 dos quase quatro mil registros contabilizados no período. Ao todo, 1.308 casos evoluíram para atendimento especializado, após os próprios entregadores aceitarem receber assistência jurídica, psicológica e socioassistencial gratuita.
Entre os profissionais que sofreram violência está Marcos Felipe, de 34 anos, conhecido como Nenzada. Ele relatou ter sido perseguido e atropelado por um motorista após uma discussão de trânsito enquanto realizava uma entrega. Segundo o entregador, o caso resultou em lesões físicas e prejuízos materiais.
Os dados também evidenciam os desafios enfrentados diariamente por trabalhadores do setor de entregas, que estão expostos a situações de preconceito, intimidação e agressões no exercício da profissão. Além do suporte jurídico, os casos atendidos contam com acompanhamento psicológico especializado para as vítimas que aceitam o atendimento.
O levantamento reforça a necessidade de medidas que ampliem a proteção e a segurança dos entregadores, especialmente diante do crescimento do trabalho por aplicativos no Brasil.