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Polícia planeja quebrar sigilo telefônico de adolescentes por estupro coletivo em Copacabana

Os policiais também aguardam autorização judicial para acessar dados de celulares e computadores do adolescente denunciado por dois estupros

O delegado Ângelo Lages é o responsável pelo caso | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro pretende solicitar à Justiça a quebra de sigilo telefônico e telemático dos réus investigados por crimes de estupro envolvendo estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A medida é considerada estratégica pelos investigadores para aprofundar a apuração e reunir novas provas sobre a atuação do grupo.

Os policiais também aguardam autorização judicial para acessar dados de celulares e computadores do adolescente denunciado por dois estupros. Segundo a investigação, ele é apontado como o principal articulador dos ataques, que teriam seguido o mesmo padrão de abordagem das vítimas. Apesar do pedido de internação e de apreensão dos aparelhos, o jovem responde ao processo em liberdade.

“O adolescente era a mente por trás disso tudo. Ele tinha a confiança das vítimas, inclusive por já ter se relacionado com elas. Por isso, a gente entende que a apreensão é necessária”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Ângelo Lages.

A INVESTIGAÇÃO

No estupro coletivo ocorrido em janeiro, em Copacabana, cinco rapazes são investigados. Quatro deles tiveram a prisão determinada pela Justiça. O adolescente é o único que não teve a internação autorizada. De acordo com a Polícia Civil, nenhum dos presos entregou voluntariamente celulares ou outros dispositivos eletrônicos.

Segundo Lages, o acesso ao conteúdo dos aparelhos pode esclarecer a dinâmica dos crimes. “Eles combinaram antes, conversaram. Esse grupo não apareceu naquele apartamento por acaso”, disse. “São comuns filmagens nesse tipo de crime, e isso pode ajudar a elucidar os fatos.”

OUTRAS VÍTIMAS

Após a repercussão do caso, outras duas vítimas procuraram a polícia para denunciar estupros cometidos por integrantes do mesmo grupo. Uma das denúncias foi feita por uma jovem que tinha 14 anos à época do crime, ocorrido em 2023, em um apartamento no Maracanã. Em depoimento, ela afirmou que a violência foi registrada em vídeo e usada como forma de chantagem.

“O que chamou a nossa atenção é que era o mesmo modus operandi do caso de Copacabana”, explicou o delegado. Segundo ele, nos dois episódios, o adolescente teria preparado emboscadas para atrair as vítimas até os locais onde ocorreram os abusos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro informou, por meio de nota, que “eventuais medidas cautelares ainda podem ser requeridas no decorrer da investigação”. A Polícia Civil também pretende acionar a direção do colégio para ter acesso a possíveis denúncias anteriores envolvendo alunos investigados.

Em nota, o grêmio estudantil do Colégio Pedro II pediu a expulsão dos estudantes envolvidos. “Não é de hoje que tais alunos têm algum tipo de envolvimento em casos de assédio e abuso”, diz o comunicado divulgado nas redes sociais.

A defesa de um dos investigados afirmou que o cliente nega o estupro coletivo. O advogado sustentou a tese de consentimento, apesar das lesões constatadas por exame pericial.

Ao comentar o caso, o delegado voltou a fazer um alerta. “Os meninos, principalmente, precisam saber que não é não”, afirmou. “A partir do momento em que não há consentimento, há crime, inclusive com pena pesada, que pode chegar a 20 anos de prisão quando a vítima é adolescente.”

As informações são da Agência Brasil

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