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Pesquisador brasileiro descobre nova espécie de felino selvagem nas florestas da Bolívia

A pesquisa foi coordenada pelo professor Eduardo Eizirik, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

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  • Novo felino selvagem, Leopardus tilcayo, foi identificado nas florestas montanhosas da Bolívia por equipe brasileira.
  • Pesquisa coordenada por Eduardo Eizirik foi publicada na revista Current Biology e revelou nova subespécie no Peru.
  • Os animais, apesar de semelhantes, são geneticamente distintos e seguem histórias evolutivas independentes.
  • Descoberta reforça lacunas no conhecimento sobre biodiversidade e destaca importância da conservação dos felinos.
  • Identificação pode impactar estratégias de preservação, considerando ameaças como habitat fragmentado e caça.
Leopardus tilcayo | Foto: Paola Nogales-Ascarrunz/Divulgação
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Uma espécie de felino selvagem até então desconhecida pela ciência foi identificada nas florestas montanhosas da Bolívia por uma equipe liderada por um pesquisador brasileiro. O animal recebeu o nome científico de Leopardus tilcayo e representa a primeira espécie de felino não fóssil descrita pela ciência em mais de um século.

A pesquisa foi coordenada pelo professor Eduardo Eizirik, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O estudo foi publicado na revista científica Current Biology.

Além da nova espécie boliviana, os pesquisadores também identificaram uma nova subespécie encontrada nas Yungas do Peru, denominada Leopardus tigrinus antisuyo.

Embora tenham nomes semelhantes, os dois animais não são considerados os parentes mais próximos entre si. Eles integram diferentes ramificações da complexa história evolutiva dos felinos selvagens encontrados na América do Sul.

A pesquisa também contribui para uma nova compreensão sobre a diversidade existente entre os chamados gatos-do-mato. De acordo com Eduardo Eizirik, diferenças genéticas importantes podem existir mesmo entre animais visualmente muito parecidos.

"São animais que apresentam aparência muito semelhante, mas são geneticamente diferentes e seguem histórias evolutivas independentes há centenas de milhares ou até milhões de anos. Essa semelhança visual fez com que diferentes espécies fossem, durante muito tempo, confundidas e classificadas como uma só", afirma o professor.

Descoberta começou em 2016

A identificação do Leopardus tilcayo teve início em 2016, quando um filhote foi encontrado por um morador da região de Nor Yungas, na Bolívia. O animal foi levado ao refúgio de animais La Senda Verde, onde posteriormente passou por análises.

Os estudos genéticos indicaram que o felino não fazia parte da espécie Leopardus tigrinus, como se acreditava inicialmente. Os resultados apontaram que se tratava de uma linhagem evolutivamente distinta e que, até então, não havia sido reconhecida pela ciência.

Para Eizirik, o achado reforça que ainda existem lacunas importantes no conhecimento sobre a biodiversidade mundial, inclusive entre animais que já são conhecidos e estudados há bastante tempo.

"Este é um estudo que evidencia o quanto ainda há para se descobrir sobre a biodiversidade do planeta. Mesmo entre animais carismáticos e conhecidos como os felinos, espécies podem permanecer desconhecidas durante séculos", diz Eizirik.

Impacto na conservação

A identificação dos novos grupos também pode ter impacto nas estratégias de preservação dos felinos selvagens sul-americanos. Segundo os pesquisadores, esses animais estão sujeitos a diferentes ameaças, entre elas a destruição e fragmentação de seus habitats, a caça e a transmissão de doenças por animais domésticos.

Com o reconhecimento de novas espécies e subespécies, os estudos de biodiversidade podem contribuir para compreender melhor a distribuição desses animais e auxiliar na definição de medidas específicas de conservação.

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