- Pesquisa da Nielsen e iHeartMedia confirma que rádio AM/FM é visto como essencial por mais de 70% dos consumidores em veículos novos.
- Rádio lidera tempo de escuta em veículos, respondendo por 55% do primeiro trimestre de 2026, superando plataformas digitais.
- Metade dos entrevistados considera menos favorável a fabricantes que retirem o rádio, especialmente entre consumidores acima de 55 anos.
- Consumidores valorizam rádio por alertas de emergência, trânsito e notícias, além de transmissões esportivas ao vivo sem atraso.
- Estudo revela que rádio e plataformas digitais coexistem no veículo, com 40% dos motoristas conectando smartphones logo no início da viagem.
Uma pesquisa da Nielsen, realizada em parceria com a iHeartMedia, reforça que o rádio AM/FM continua sendo um dos recursos mais valorizados pelos consumidores no ambiente automotivo, mesmo com o avanço das plataformas digitais embarcadas.
Divulgado em maio deste ano, o levantamento aponta que mais de sete em cada dez consumidores consideram o rádio um item essencial em veículos novos, enquanto quase metade afirma que não compraria um automóvel sem o equipamento instalado de fábrica.
O estudo também mostra que o rádio segue como a principal plataforma de áudio nos carros, respondendo por 55% do tempo de escuta registrado no primeiro trimestre de 2026.
Rádio influencia decisão de compra
Segundo a pesquisa, o rádio AM/FM aparece entre os recursos que mais influenciam a escolha de um veículo, ficando atrás apenas da integração com smartphones por meio de sistemas como Apple CarPlay e Android Auto.
O levantamento utilizou a metodologia Choice-Based Conjoint (CBC), amplamente empregada pela indústria automotiva para avaliar quais características têm maior peso na decisão de compra dos consumidores.
Outro dado destacado é que cerca de metade dos entrevistados afirmou que teria uma percepção menos favorável de fabricantes que eliminassem o rádio AM/FM de seus veículos. Entre consumidores com 55 anos ou mais, essa resistência é ainda maior.
Segundo a Nielsen, a retirada do rádio representa um risco potencial para as montadoras, já que pode afetar tanto a intenção de compra quanto a imagem das marcas.
Informação e segurança seguem como diferenciais
Além do entretenimento, os entrevistados associam o rádio à oferta de serviços considerados importantes durante os deslocamentos.
A pesquisa mostra que oito em cada dez consumidores valorizam a transmissão de alertas de emergência, informações sobre o trânsito e notícias locais por meio do rádio. Já dois terços consideram importante acompanhar transmissões esportivas ao vivo, sem o atraso comum nas plataformas de streaming.
Os hábitos de consumo reforçam esse cenário. Segundo o estudo Share of Ear, da Edison Research, o rádio concentrou 55% de todo o tempo dedicado ao consumo de áudio dentro dos veículos no primeiro trimestre deste ano. Os serviços de streaming responderam por 16%, enquanto podcasts, YouTube, rádio via satélite, audiolivros e arquivos armazenados somaram os 29% restantes.
Rádio e plataformas digitais convivem no veículo
O levantamento indica que os consumidores não enxergam o rádio e as plataformas conectadas como tecnologias concorrentes.
Segundo a pesquisa, quatro em cada dez motoristas conectam o smartphone ao veículo logo no início da viagem, enquanto um em cada quatro afirma que sua primeira ação é sintonizar uma emissora de rádio.
Na avaliação da Nielsen, o comportamento dos usuários mostra que o rádio continua desempenhando um papel complementar às soluções digitais, combinando informação em tempo real, conteúdo local e entretenimento com os recursos oferecidos pela conectividade embarcada.
Debate cresce no setor automotivo
Os resultados surgem em meio ao debate sobre a permanência do rádio nos veículos. Nos Estados Unidos, a Tesla retirou a recepção de rádio terrestre de parte de seus modelos mais acessíveis, enquanto pesquisas recentes continuam apontando o AM/FM como a principal plataforma de áudio utilizada durante os deslocamentos.
Na avaliação da Cumulus Media Audio Active Group, os indicadores reforçam que o rádio mantém uma posição estratégica no ambiente automotivo, mesmo diante da expansão das plataformas conectadas.
E no Brasil?
No Brasil, ainda não há um movimento semelhante de retirada da recepção de rádio FM dos veículos, embora a banda AM já esteja ausente em diversos modelos, principalmente os importados.
A Tesla não atua oficialmente no mercado brasileiro, e a expansão dos veículos elétricos tem sido liderada por montadoras chinesas. Segundo levantamento do Tudo Radio, não foram identificados modelos vendidos no país sem recepção de rádio FM.
O estudo aponta, porém, que alguns veículos eletrificados de marcas como Volkswagen, Geely, Nissan e Chevrolet apresentam limitações relacionadas ao sistema de rádio, como ausência ou funcionamento restrito do RDS e desempenho inferior na recepção do sinal em comparação com modelos similares.