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Nobel de Física vai para estudo sobre efeitos quânticos; prêmio de R$ 6 milhões

Francis Halzen foi premiado por idealizar e liderar o IceCube, observatório no Polo Sul que detectou neutrinos de altíssima energia e abriu caminho para um novo tipo de astronomia.

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  • Francis Halzen recebe Nobel de Física de 2026 por contribuição ao Observatório IceCube no Polo Sul.
  • O prêmio reconhece descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica fora do Sistema Solar.
  • O gelo do Polo Sul atua como detector de neutrinos, captando luz gerada por interações com átomos.
  • Neutrino detectado em 2017 foi associado a galáxia com buraco negro supermassivo, revelando nova forma de astronomia.
  • O IceCube expandiu o estudo do universo, permitindo investigar fenômenos cósmicos extremos com neutrinos.
Nobel de Física vai para estudo sobre efeitos quânticos; prêmio de R$ 6 milhões | Foto: Divulgação
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O físico belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, recebeu o Nobel de Física de 2026 pela contribuição decisiva para a criação do Observatório de Neutrinos IceCube, instalado no gelo do Polo Sul.

O prêmio foi anunciado nesta terça-feira (6) pela Academia Real das Ciências da Suécia. Segundo a instituição, o reconhecimento está relacionado à contribuição de Halzen para o observatório e à descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica, produzidos fora do Sistema Solar.

O prêmio tem valor de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 6 milhões.

Nobel de Física de 2026 é concedido ao pesquiador Francis Halzen — Foto: Reprodução

Aceleradores naturais ainda são um mistério

O universo possui ambientes capazes de acelerar partículas a energias que podem chegar a um milhão de vezes os níveis alcançados pelos aceleradores construídos na Terra. Apesar de os cientistas conhecerem esses fenômenos há décadas, ainda existem questões sobre quais são essas fontes, onde estão localizadas e quais processos ocorrem em seu interior.

Partículas carregadas produzidas nesses ambientes mudam de trajetória ao atravessar o espaço e, por isso, não preservam informações precisas sobre sua origem. Os neutrinos apresentam comportamento diferente. Eles podem viajar pelo espaço sem sofrer desvios significativos e sem perder energia, carregando informações sobre os locais onde foram produzidos.

Observatório de Neutrinos IceCube — Foto: Ilya Bodo/IceCube/NSF

Gelo do Polo Sul funciona como detector

A proposta de usar o gelo para detectar neutrinos foi apresentada por Halzen pela primeira vez em 1988. Os neutrinos raramente interagem com a matéria. Quando um deles colide com o núcleo de um átomo no gelo, a interação produz um clarão de luz.

Sensores instalados nas profundezas do gelo captam esse sinal. A partir do registro, os pesquisadores conseguem estimar a energia da partícula e a direção de onde ela veio. O Polo Sul também oferece condições favoráveis para o experimento, por ser uma região geologicamente estável e com gelo glacial transparente, o que reduz interferências na detecção da luz produzida pelas colisões.

IceCube ocupa um quilômetro cúbico de gelo

Como os neutrinos cósmicos de alta energia são extremamente raros, o detector precisa analisar um volume muito grande de matéria para registrar um número suficiente de interações. O IceCube ocupa aproximadamente um quilômetro cúbico de gelo e foi concluído em 2011.

Os primeiros neutrinos de alta energia foram identificados pouco depois. Anos mais tarde, a equipe confirmou que parte dessas partículas tinha origem muito além do Sistema Solar. A descoberta permitiu ampliar a investigação sobre as fontes cósmicas responsáveis pela produção dessas partículas.

Neutrinos no de alta energia da Via Láctea — Foto: Divulgação

Neutrino foi associado a galáxia distante

Em 2017, um neutrino detectado pelo IceCube foi associado a uma galáxia distante com um buraco negro supermassivo ativo. A identificação ocorreu porque a fonte também foi observada por telescópios em outras regiões do espectro eletromagnético. O resultado mostrou que os neutrinos poderiam ser usados para localizar e estudar objetos e fenômenos extremos do universo.

Observatório amplia formas de estudar o universo

Para Mark Pearce, presidente do Comitê Nobel de Física, Halzen liderou uma equipe internacional de pesquisadores e engenheiros responsável pelo desenvolvimento do observatório. Segundo Pearce, o trabalho abriu caminho para um novo tipo de astronomia.

Durante séculos, a observação do universo esteve concentrada principalmente na luz emitida pelos objetos celestes. O IceCube acrescentou os neutrinos ao conjunto de mensageiros usados para investigar o cosmos. Os dados coletados pelo observatório podem ajudar os cientistas a compreender os ambientes extremos onde essas partículas são produzidas e a identificar fenômenos cósmicos ainda desconhecidos.

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