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Marco para a medicina: França identifica novo grupo sanguíneo raro: o “Gwada Negativo”

Descoberta inédita homenageia origem guadalupense da única portadora conhecida no mundo

França identifica novo grupo sanguíneo raro: o “Gwada Negativo” | Foto: Pixabay
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Uma francesa nascida na ilha de Guadalupe é, até o momento, a única pessoa no mundo identificada com um novo grupo sanguíneo: o “Gwada Negativo”. A descoberta, anunciada recentemente pelo Instituto Francês do Sangue (EFS), representa um marco para a medicina transfusional e só foi possível graças ao avanço das tecnologias de sequenciamento genético.

A história começou em 2011, quando a paciente, então com 54 anos e residente em Paris, se preparava para uma cirurgia de rotina. Durante os exames pré-operatórios, os médicos identificaram um anticorpo desconhecido, diferente de qualquer outro registrado até então. Na época, os recursos tecnológicos não eram suficientes para uma investigação mais aprofundada.

Somente a partir de 2019, com a utilização de técnicas de sequenciamento de DNA de alta velocidade, os cientistas conseguiram desvendar o mistério. O estudo revelou uma mutação genética responsável pela formação desse novo grupo sanguíneo.

“Foi uma descoberta que demandou anos de trabalho e só foi possível com as tecnologias mais modernas. O nome ‘Gwada Negativo’ é uma homenagem à origem da paciente e foi muito bem aceito pela comunidade científica internacional”, explicou Thierry Peyrard, farmacêutico e biólogo médico responsável pela qualidade e segurança dos produtos sanguíneos no EFS.

A oficialização do novo grupo sanguíneo ocorreu no início de junho, durante um congresso da Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea (ISBT), realizado em Milão, na Itália.

Segundo os pesquisadores, a paciente hoje, já sexagenária, é considerada “incompatível com qualquer outro doador de sangue”, sendo ela própria sua única fonte segura para transfusões, caso necessário. Isso porque, ao contrário de outros grupos sanguíneos raros — onde geralmente há pequenos grupos de pessoas compatíveis, como irmãos —, o “Gwada Negativo” ainda não tem nenhum outro caso registrado no mundo.

A origem genética do grupo também chama a atenção dos cientistas. O “Gwada Negativo” só se manifesta quando o indivíduo herda o gene mutado de ambos os pais. No caso da paciente, os irmãos, por exemplo, possuem apenas uma cópia do gene alterado, o que os impede de apresentar o grupo sanguíneo raro.

Agora, a equipe do EFS trabalha no desenvolvimento de um protocolo especial para tentar localizar outros portadores, principalmente entre a população de Guadalupe, de onde vem a paciente.

“Estamos muito motivados a encontrar outros casos. Há chances de que existam mais pessoas com esse perfil genético, especialmente entre os doadores da região”, afirma Peyrard.

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