- Mais da metade das brasileiras afirma ter sofrido violência por parceiro ou ex-parceiro, segundo pesquisa sobre a Lei Maria da Penha.
- 30 milhões de mulheres declararam ter sido vítimas de violência em relacionamentos, número que sobe para quase 48 milhões com situações específicas.
- Violência psicológica é a mais comum, citada por 42% das mulheres, seguida por violência física, moral e sexual.
- Medo e impunidade são principais obstáculos para denúncias, com 68% das mulheres apontando o medo de represálias como principal barreira.
- Ampliar apoio às vítimas e endurecer punições são as principais medidas consideradas eficazes para combater a violência contra a mulher.
Mais da metade (54%) das brasileiras que já tiveram relacionamento com homens afirma ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. Em contrapartida, apenas 11% dos homens reconhecem ter cometido algum tipo de agressão contra companheiras ou ex-companheiras.
Os dados fazem parte da pesquisa inédita "20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira", realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva para avaliar os avanços e desafios da legislação duas décadas após sua criação.
Segundo o levantamento, cerca de 30 milhões de mulheres afirmam já ter sido vítimas de violência em relacionamentos. Quando as entrevistadas são questionadas sobre situações específicas previstas na Lei Maria da Penha, esse número sobe para quase 48 milhões de brasileiras.
Apesar dos avanços promovidos pela legislação, a pesquisa conclui que a violência de gênero continua sendo um problema estrutural no país e exige fortalecimento das políticas públicas, ampliação da rede de proteção e mudanças culturais.
Violência psicológica lidera os casos
Entre as formas de violência previstas na Lei Maria da Penha, a violência psicológica aparece como a mais recorrente, citada por 42% das mulheres entrevistadas.
Na sequência aparecem:
- Violência física: 25%
- Violência moral: 19%
- Violência sexual: 10%
- Violência patrimonial: 9%
Na percepção das entrevistadas, os principais autores das agressões são parceiros ou ex-parceiros (88%), seguidos por familiares (33%) e pessoas conhecidas (29%).
Medo e impunidade dificultam denúncias
O levantamento mostra que o medo continua sendo o principal obstáculo para romper o ciclo da violência.
Entre as mulheres entrevistadas:
- 68% apontam o medo de denunciar por represálias ou falta de proteção;
- 56% citam a impunidade dos agressores;
- 39% mencionam a lentidão da Justiça;
- 35% afirmam que a cultura que naturaliza a violência também dificulta o enfrentamento do problema.
Quando questionadas sobre como reagiriam ao presenciar uma agressão contra uma mulher, 70% responderam que chamariam a polícia ou outra autoridade.
Lei Maria da Penha é reconhecida, mas ainda vista como insuficiente
A pesquisa mostra que a Lei Maria da Penha é amplamente conhecida pela população. Entre as mulheres que conhecem a legislação, 73% a associam principalmente à proteção das vítimas.
Ao mesmo tempo, a percepção é de que ainda há limitações na aplicação da lei:
- 67% consideram que ela protege as mulheres apenas parcialmente;
- 80% afirmam que a legislação ainda não funciona na prática como deveria;
- 82% entendem que a lei, sozinha, não é suficiente para combater a violência doméstica.
Além disso, 54% das mulheres dizem sentir-se mais protegidas pela existência da legislação, e sete em cada dez acreditam que ela tem impacto real na vida das brasileiras.
Pesquisa aponta caminhos para enfrentar a violência
Entre as medidas consideradas mais importantes para reduzir a violência contra a mulher, os entrevistados destacaram:
- ampliar o apoio e a proteção às vítimas (91%);
- endurecer as punições aos agressores (91%);
- melhorar a aplicação das leis e o funcionamento da Justiça (90%);
- fortalecer campanhas de educação e prevenção (89%);
- facilitar o acesso aos canais de denúncia (89%).
O estudo ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026, por meio de entrevistas digitais. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
Onde denunciar
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados gratuitamente pela Central de Atendimento à Mulher (180). Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
As vítimas também podem procurar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), além do Ministério Público, da Defensoria Pública e demais serviços da rede de proteção.