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Venezuela registra novo tremor cinco dias após terremotos que deixaram 1,5 mil mortos

Abalo de magnitude 4,6 foi registrado na manhã desta segunda-feira (29), enquanto equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes em meio aos escombros

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  • Venezuela registra novo tremor de 4,6 na manhã desta segunda-feira, cinco dias após terremotos que deixaram 1,5 mil mortos.
  • Tremor ocorreu em Caraballeda, a 30 km de Caracas, e faz parte da sequência de abalos após os terremotos de 7,2 e 7,5 da última quarta-feira.
  • Equipes de resgate continuam buscas em áreas devastadas, com 50 mil pessoas ainda desaparecidas e 33 sobreviventes resgatados no domingo.
  • Operações enfrentam dificuldades devido ao calor, decomposição e acesso limitado, enquanto voluntários ajudam nas regiões mais afetadas.
  • ONU estima que 6,8 milhões de venezuelanos foram impactados, com risco de novos danos estruturais e desafios na reconstrução.
Prédios danificados pelos terremotos três dias após atingirem Catia La Mar, Venezuela | Foto: Reprodução/ Matías Delacroix/AP Photo
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A Venezuela registrou um novo tremor de terra na manhã desta segunda-feira (29), cinco dias após o duplo terremoto que devastou o país e deixou cerca de 1,5 mil mortos. O abalo, de magnitude 4,6, foi registrado às 7h no horário local (8h em Brasília), com epicentro em Caraballeda, no litoral norte venezuelano, a cerca de 30 quilômetros da capital, Caracas.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor faz parte da sequência de abalos secundários que continuam atingindo o país desde a tragédia da última quarta-feira. Apesar do susto, não houve registro imediato de novos danos.

"Foi muito forte", relatou Ismael Díaz, morador de La Guaira, em entrevista à agência AFP.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, afirmou que o tremor não provocou novas ocorrências.

"Nenhum dano foi relatado imediatamente em decorrência do tremor secundário na Venezuela", declarou.

Sequência de abalos

Este é o quinto tremor registrado desde os dois terremotos principais, de magnitudes 7,2 e 7,5, que atingiram a Venezuela na quarta-feira passada. Na sexta-feira (26), um novo abalo de magnitude semelhante foi registrado, seguido por tremores de 4,2 e 4,5 na manhã deste domingo (28).

A continuidade da atividade sísmica mantém a população em alerta e aumenta a preocupação das autoridades e das equipes de emergência, que ainda atuam nas regiões mais atingidas.

Buscas continuam

O novo tremor ocorreu enquanto equipes de resgate venezuelanas e internacionais seguem trabalhando contra o tempo para localizar sobreviventes sob os escombros. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas.

Embora as chances de encontrar vítimas com vida diminuam a cada hora, os socorristas ainda conseguiram resgatar 33 sobreviventes no domingo, renovando a esperança de familiares que aguardam notícias.

Imagem mostra destruição em Catia La Mar, na Venezuela, após terremoto | Foto: Federico Parra/AFP 

Especialistas explicam que as primeiras 48 a 72 horas após um desastre natural representam o período mais importante para localizar pessoas vivas. Após esse intervalo, as operações normalmente passam a se concentrar na recuperação de corpos.

Operação enfrenta dificuldades

As buscas seguem em condições extremamente difíceis. O trabalho é realizado, em grande parte, de forma manual e sob temperaturas elevadas, fatores que dificultam o acesso aos escombros.

Socorristas também relatam que o cheiro provocado pela decomposição dos corpos se torna cada vez mais intenso, aumentando os desafios enfrentados pelas equipes que permanecem mobilizadas nas áreas devastadas.

Mesmo diante desse cenário, voluntários continuam chegando de diferentes regiões para auxiliar nas operações.

"Todos dizem que não há mais ninguém, mas continuamos aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém", afirmou à AFP Eduardo Cardozo, trabalhador rural que viajou para ajudar nos resgates em Tucacas, cerca de 200 quilômetros a leste de Caracas.

Cobranças ao governo

Em La Guaira, estado vizinho à capital e uma das regiões mais atingidas, missões internacionais de resgate reforçaram as operações no domingo. Nos primeiros dias após a tragédia, moradores relataram frustração com a resposta das autoridades, afirmando que grande parte dos resgates foi conduzida por voluntários e pela população.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, pediu a continuidade das operações de busca e anunciou medidas para atender as famílias que perderam suas casas. Segundo o governo, mais de 770 edifícios sofreram desabamentos totais ou parciais, incluindo residências, estabelecimentos comerciais e dezenas de hospitais.

Milhões de afetados

De acordo com a ONU, os terremotos impactaram aproximadamente 6,8 milhões dos quase 30 milhões de habitantes da Venezuela. Além da destruição provocada pelos abalos iniciais, a sequência de tremores secundários mantém o risco de novos danos estruturais e dificulta o avanço dos trabalhos de resgate e reconstrução.

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