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Venezuela ordena prisão de apoiadores e envolvidos em ação dos EUA que capturou Maduro

Decreto foi publicado após captura de Nicolás Maduro e decretação de estado de emergência

Manifestantes protestam contra o governo da Venezuela em Maracaibo | Foto: Isaac Urrutia/Reuters
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O governo da Venezuela determinou que a polícia inicie a busca e a prisão, em todo o país, de pessoas envolvidas ou que tenham apoiado a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A ordem consta em um decreto do estado de emergência, publicado na íntegra nesta segunda-feira (5), dois dias após a operação americana.

Venezuela realiza exercícios para treinar cidadãos em defesa nacional - Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters 

Decreto de emergência

Segundo o texto oficial, as forças de segurança devem iniciar imediatamente a busca e a captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou no apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. O decreto está em vigor desde sábado (3), data do ataque, mas só foi divulgado integralmente nesta segunda.

Além da medida, o regime venezuelano anunciou a ativação de planos de defesa nacional. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que o país irá resistir à presença de tropas estrangeiras e denunciou ataques a áreas civis durante a operação.

“O Governo Bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativar os planos de mobilização e condenar este ataque imperialista”, diz o comunicado oficial.

Operação dos EUA e prisão de Maduro

Nicolás Maduro foi preso na madrugada de sábado por forças especiais norte-americanas, em uma operação que provocou apagões em partes de Caracas e atingiu instalações militares. Ele foi levado para os Estados Unidos e deve comparecer nesta segunda-feira diante de um juiz federal em Nova York.

A primeira audiência será conduzida pelo juiz Alvin K. Hellerstein. A esposa de Maduro, Cilia Flores, que também foi capturada durante a operação, deve comparecer ao tribunal junto com o presidente venezuelano.

Nicolás Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima, em foto compartilhada por Trump. — Foto: REUTERS 

Acusações e contestação

O governo dos Estados Unidos afirma que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, grupo acusado de atuar no tráfico internacional de drogas. A Casa Branca classificou organizações desse tipo como terroristas e justificou a ação com base nessas acusações.

Pesquisadores e especialistas, no entanto, contestam essa versão. Segundo eles, o Cartel de los Soles não possui uma hierarquia definida, funcionando como uma “rede de redes” formada por militares e agentes políticos. Apesar disso, há indícios de que Maduro teria sido um dos beneficiários do sistema.

Situação política no país

Após a prisão de Maduro, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina. No domingo (4), ela divulgou uma carta aberta ao presidente dos EUA, Donald Trump, pedindo diálogo e o fim das hostilidades.

 “Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu Delcy, ao defender uma agenda de cooperação baseada na não ingerência entre os países.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU também se reúne em Nova York para discutir a ação militar dos Estados Unidos e seus desdobramentos internacionais.

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