- Trump e Xi se encontram na Casa Branca para discutir comércio, segurança e tecnologia durante a visita de Estado de Xi a Washington.
- A reunião aborda temas como inteligência artificial, tarifas e controle de exportação de tecnologias para a China.
- Os dois governos destacam progressos nas negociações, mas mantêm divergências sobre Taiwan e minerais de terras raras.
- Xi defende cooperação entre os países e a coexistência pacífica, enquanto Trump promete avanços em acordos comerciais.
- A visita inclui cerimônias oficiais, eventos culturais e visitas a locais históricos dos Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o presidente da China, Xi Jinping, na Casa Branca nesta quinta-feira (24), para uma reunião que tem como principais temas o comércio, a segurança, a tecnologia e a inteligência artificial. O encontro faz parte da visita de Estado de Xi a Washington, que termina nesta sexta-feira (25).
Antes do início da reunião, Trump afirmou que os dois países trabalham para estabelecer uma relação comercial mais equilibrada. O presidente americano também disse ter construído uma “amizade verdadeiramente grande” com Xi.
Segundo Trump, as negociações incluem a abertura de novos mercados para agricultores e pecuaristas dos Estados Unidos. Ele também destacou avanços nas discussões comerciais entre os dois países e mencionou a criação de um novo Conselho de Comércio.
“Nossas equipes têm trabalhado para incentivar uma relação comercial mais equilibrada, incluindo o novo acesso ao mercado para agricultores e pecuaristas americanos”, afirmou Trump.
A visita de Xi ocorre em meio a uma trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo, que tem prazo para terminar em novembro. As negociações também envolvem temas sensíveis, como tarifas, exportações de minerais de terras raras, Taiwan e controles americanos sobre tecnologias destinadas à China.
Donald Trump recebe Xi Jinping em Washington | Foto: Jonathan Ernst/Reuters
Comércio e tecnologia no centro das conversas
Trump afirmou que a reunião também tratará do futuro da inteligência artificial. O presidente americano chamou a tecnologia de “superinteligência” e disse que as decisões tomadas atualmente podem ter impacto sobre a paz e a prosperidade nas próximas décadas.
“Durante esta visita, também discutiremos questões urgentes relacionadas à segurança, tecnologia e superinteligência - SI”, declarou Trump.
O presidente americano também afirmou que os dois governos fizeram “progressos enormes” nas questões que envolvem os países. Ele citou ainda sua viagem a Pequim, em maio, e o novo Conselho de Comércio, apresentado como um mecanismo para ampliar as negociações sobre produtos não sensíveis.
Apesar das declarações de aproximação, os dois governos continuam divergindo sobre temas estratégicos. Taiwan, o comércio de minerais de terras raras e os controles de exportação de tecnologia estão entre os principais pontos de tensão. Analistas ouvidos pela imprensa americana avaliam que a reunião pode produzir acordos pontuais, mas há expectativa limitada de um avanço amplo nas relações.
Taiwan e outras divergências
A questão de Taiwan também deve estar entre os assuntos sensíveis da agenda. Pequim reivindica a ilha como parte de seu território, enquanto Washington mantém relações não oficiais com Taiwan e fornece apoio militar.
Além disso, os dois países negociam questões relacionadas ao combate ao tráfico de drogas, às tarifas e às restrições de exportação. A inteligência artificial também ganhou espaço nas tratativas, em razão da disputa tecnológica entre as duas potências.
A visita ocorre em um momento de competição econômica e tecnológica entre Estados Unidos e China. Mesmo assim, os dois governos têm buscado manter canais de diálogo e evitar uma nova escalada nas disputas comerciais.
Xi defende cooperação
Antes da reunião, Xi Jinping afirmou que China e Estados Unidos devem buscar uma forma de coexistência e ampliar a cooperação.
“Juntos, podemos e devemos encontrar a abordagem certa para que a China e os Estados Unidos, duas grandes nações, convivam bem na nova era. Estou confiante de que conseguiremos”, disse Xi, segundo declaração divulgada pelo governo chinês.
“Alcançar a grande revitalização da nação chinesa e tornar a América grande novamente podem caminhar lado a lado; os dois países podem contribuir para o sucesso um do outro, beneficiando assim o mundo como um todo”, acrescentou.
Em outra declaração durante a visita, Xi defendeu que os dois países sejam parceiros, e não rivais, e afirmou que a cooperação pode beneficiar ambas as nações.
Visita tem programação até sexta-feira
A visita de Xi aos Estados Unidos começou na quarta-feira (23), quando Trump recebeu o presidente chinês pessoalmente na Base Conjunta Andrews, em Maryland. O gesto rompeu com o protocolo habitual de recepção de líderes estrangeiros e marcou o início da programação oficial.
Nesta quinta-feira, além da reunião na Casa Branca, a programação inclui cerimônia oficial de chegada e jantar de Estado oferecido por Trump e pela primeira-dama, Melania Trump. A agenda também prevê eventos culturais e relacionados à tecnologia.
Na sexta-feira (25), Trump e Xi devem visitar os Arquivos Nacionais, onde serão apresentados a documentos históricos dos Estados Unidos, incluindo registros relacionados à Declaração de Independência e à Constituição.
“O presidente Xi e a senhora Peng chegam em um momento importante para a América: o 250º aniversário de nossa fundação”, afirmou Trump. “Amanhã, visitaremos os Arquivos Nacionais para ver alguns dos maiores tesouros dessa história de que tanto nos orgulhamos.”
O presidente americano também disse que os dois países devem observar artefatos relacionados a intercâmbios culturais entre chineses e americanos ao longo da história.