- Estados Unidos e Irã entram em nova fase de incerteza nas negociações após Trump devolver proposta de acordo.
- Presidente americano exige mudanças nos compromissos nucleares e garantias sobre a segurança do Estreito de Ormuz.
- Negociações prolongadas por mais uma semana, com divergências em pontos estratégicos como programa nuclear e benefícios econômicos.
- Presidente iraniano reforça posição de Teerã: nenhum acordo sem garantias práticas para os interesses do país.
As negociações entre Estados Unidos e Irã entraram em uma nova fase de incerteza após o presidente Donald Trump devolver a proposta de acordo em discussão entre os dois países e exigir mudanças em pontos considerados estratégicos pela Casa Branca.
A decisão, segundo a CNN, foi tomada após uma reunião com assessores realizada na sexta-feira (29) e deve prolongar as conversas por pelo menos mais uma semana.
De acordo com autoridades americanas, Trump solicitou alterações relacionadas aos compromissos nucleares assumidos por Teerã e às garantias sobre a reabertura e a segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Casa Branca cobra novas garantias
Os detalhes das exigências não foram divulgados oficialmente. Fontes ligadas ao governo americano afirmam, porém, que Trump também demonstrou preocupação com possíveis concessões econômicas ao Irã previstas na proposta.
O presidente busca evitar comparações com o acordo nuclear firmado em 2015 durante a gestão de Barack Obama, frequentemente criticado por ele por considerar que oferecia vantagens excessivas ao governo iraniano.
Impasse adia conclusão do acordo
A decisão representa uma mudança de tom em relação às declarações recentes do próprio Trump. Na semana passada, o presidente afirmou que o entendimento estava praticamente concluído e indicou que um avanço significativo nas relações entre os dois países estaria próximo.
Apesar do discurso otimista, uma reunião de aproximadamente duas horas realizada na sexta-feira terminou sem definição. Trump chegou a afirmar nas redes sociais que faria uma "determinação final" sobre o acordo, mas optou por encaminhar novas exigências aos negociadores iranianos.
Programa nuclear segue como entrave
As divergências continuam concentradas principalmente na questão nuclear.
Trump declarou recentemente que os Estados Unidos assumiriam o controle do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido e promoveriam a destruição desse material como parte do acordo. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que as negociações atuais ainda não incluem discussões detalhadas sobre o futuro do programa nuclear do país.
Também persistem diferenças em relação aos benefícios econômicos. Enquanto Trump afirma que não houve debate sobre alívio de sanções ou transferências de recursos, autoridades iranianas defendem que qualquer entendimento precisará prever medidas concretas nesse sentido.
Neste domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou a posição de Teerã ao afirmar que nenhum acordo será aceito sem garantias práticas para os interesses do país.
“Os soldados do campo diplomático não confiam nas palavras e promessas do inimigo. O que importa são conquistas tangíveis que devemos obter; em troca delas, cumpriremos nossos compromissos”, declarou em vídeo divulgado pela agência estatal Tasnim.
Estreito de Ormuz preocupa Washington
Outro ponto central das negociações continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico para o comércio global de petróleo.
O senador democrata Chris Coons afirmou neste domingo que as condições apresentadas por Trump podem parecer viáveis em teoria, mas questionou a capacidade de implementação prática das medidas.
Podemos usar nossa superioridade tecnológica para bombardear grandes instalações no Irã, mas não conseguiremos impedir que eles mantenham capacidade para fechar o Estreito de Ormuz ou atacar nossos aliados com drones.