- Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno das eleições 2026 com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
- Trump comenta resultado eleitoral brasileiro e surpreende-se com desempenho de Flávio Bolsonaro.
- Estratégia americana busca reafirmar influência na América Latina com retomada da Doutrina Monroe.
- Brasil pode mudar posição no cenário regional se Flávio for eleito, influenciando relações com EUA.
- Venezuela mantém relação de confronto com Washington, diferenciando-se dos outros países da região.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das Eleições 2026 à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Os dois disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Caso seja eleito, Flávio poderá integrar um grupo de presidentes sul-americanos que mantêm aproximação política ou diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na segunda-feira (5), Trump comentou o resultado da eleição brasileira e afirmou ter ficado surpreso com o desempenho de Flávio.
Bom, é uma grande vitória. Muito apertada, mas impressionante, na verdade, afirmou.
O presidente americano não detalhou sua posição sobre a disputa brasileira. Antes do primeiro turno, Trump também não havia respondido se apoiaria a candidatura de Flávio.
Trump busca ampliar influência na América Latina
A aproximação com governos da América Latina faz parte da estratégia externa anunciada pelo governo Trump. Em dezembro de 2025, os Estados Unidos divulgaram uma nova Estratégia de Segurança Nacional, na qual defenderam a retomada da influência americana no Hemisfério Ocidental.
O documento afirma que os Estados Unidos pretendem “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”. A Doutrina Monroe foi apresentada em 1823 pelo então presidente americano James Monroe. A política defendia que potências europeias não deveriam ampliar sua influência ou interferir nos assuntos das Américas.
A estratégia anunciada pelo governo Trump retoma esse conceito em um contexto de disputa por influência com outras potências. O jornal The New York Times chegou a utilizar o termo “Doutrina Donroe”, uma combinação dos nomes Donald Trump e James Monroe, para descrever a política.
Estratégia prevê presença militar e combate ao tráfico
A estratégia de segurança nacional estabelece três principais frentes para a atuação americana na América Latina:
- ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha dos Estados Unidos para controlar rotas marítimas e combater imigração ilegal, tráfico de drogas e de pessoas;
- reforçar a proteção das fronteiras e o combate aos cartéis de drogas, incluindo a possibilidade de uso de força letal em determinadas situações;
- estabelecer ou ampliar o acesso dos Estados Unidos a locais considerados estratégicos na região.
Presidentes sul-americanos próximos de Trump
O cenário político sul-americano reúne governos que mantêm diferentes níveis de aproximação com Trump. Entre os presidentes citados nesse grupo estão:
- Abelardo de la Espriella, da Colômbia;
- Javier Milei, da Argentina;
- Daniel Noboa, do Equador;
- Santiago Peña, do Paraguai;
- Rodrigo Paz, da Bolívia;
- José Antonio Kast, do Chile;
- Keiko Fujimori, do Peru.
Os níveis de alinhamento variam entre os países e podem envolver questões econômicas, diplomáticas, comerciais e de segurança.
Venezuela mantém relação diferente
A Venezuela ocupa uma posição distinta no cenário regional. O governo de Nicolás Maduro mantém uma relação de confronto com Washington, em contraste com os governos sul-americanos que buscam maior aproximação com Trump.
A eventual eleição de Flávio Bolsonaro, portanto, poderia alterar a posição do Brasil no quadro de relações entre os governos sul-americanos e os Estados Unidos. Essa mudança, porém, dependeria das decisões adotadas pelo novo governo.