- Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026, após crise política agravada.
- Congresso paraguaio iniciou processo de impeachment contra Peña e seu vice, em meio à crise.
- Crise começou com fechamento do banco digital Ueno, que deixou clientes sem acesso ao dinheiro.
- Peña, economista e ex-ministro da Fazenda, foi eleito presidente em 2023, derrotando Efraín Alegre.
- Presidente está ligado ao Partido Colorado, principal força política do país desde a década de 1950.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, de 47 anos, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio ao agravamento de uma crise política no país. Mais cedo, o Congresso paraguaio havia iniciado as articulações para votar um processo de impeachment contra Peña e seu vice.
A crise teve início após o fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña foi acionista do grupo controlador da instituição financeira, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades relacionadas ao caso.
Filiado ao Partido Colorado, de direita, Peña foi eleito presidente em abril de 2023, quando derrotou Efraín Alegre. Ele sucedeu Mario Abdo Benítez, também integrante da legenda, que ocupa posição central na política paraguaia há décadas.
A eleição de 2023 foi a segunda tentativa de Peña de chegar à Presidência. Em 2018, ele disputou as prévias do Partido Colorado, mas perdeu a indicação para Abdo Benítez.
Na vida pessoal, Peña foi pai aos 17 anos, quando ainda cursava o ensino médio. Atualmente, é casado com Leticia Ocampo, com quem teve outro filho.
Da formação em economia ao Fundo Monetário Internacional
Economista de formação, Santiago Peña estudou na Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, no Paraguai, e iniciou sua carreira profissional no Banco Central do país.
Posteriormente, fez pós-graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Aos 30 anos, passou a trabalhar no Fundo Monetário Internacional (FMI), onde atuou no departamento responsável por assuntos relacionados à África.
Após a experiência no organismo internacional, retornou ao Banco Central paraguaio. Em seguida, entre 2015 e 2017, assumiu o Ministério da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes, que esteve à frente do país entre 2013 e 2018.
Foi durante esse período que Peña se filiou ao Partido Colorado. Ao deixar o ministério, passou a trabalhar no banco ligado ao seu antigo chefe, Horacio Cartes.
Trajetória política e ligação com o Partido Colorado
A trajetória de Peña na política paraguaia está ligada ao Partido Colorado, uma das principais forças políticas do país e que mantém presença no poder desde a década de 1950, com interrupções.
Em 2023, o economista venceu a disputa presidencial contra Efraín Alegre. Naquele período, o partido enfrentava questionamentos relacionados à desaceleração econômica e a denúncias de corrupção, mas manteve a Presidência com a eleição de Peña.
O presidente também é apontado como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sua filiação partidária e sua atuação política são associadas ao campo da direita paraguaia.