- Quase 50 mil pessoas desapareceram em La Guaira e Caracas após terremotos da semana passada, segundo o IRC.
- Organização afirma que resposta humanitária é insuficiente e serviços médicos estão sobrecarregados nas áreas afetadas.
- Ajuda humanitária chegou ao país, mas falhas na distribuição causaram deterioração de alimentos e logística complexa.
- Directora do IRC descreve situação nos abrigos como “de partir o coração”, com mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade.
- Impacto psicológico persiste nos abrigos, com pânico coletivo causado por tremores secundários e incerteza sobre familiares.
Quase 50 mil pessoas seguem desaparecidas nas cidades de La Guaira e Caracas, na Venezuela, após os terremotos da semana passada, segundo o Comitê Internacional de Resgate (IRC).
A organização afirma que as equipes de busca ainda encontram dificuldades para lidar com a dimensão da tragédia e que há falta de itens básicos, como água potável, nos abrigos e áreas afetadas.
Crise humanitária nos abrigos
Em comunicado, o IRC afirmou que a resposta humanitária não tem sido suficiente diante da escala das necessidades.
A resposta não é proporcional à dimensão das necessidades humanitárias. Os serviços médicos nos centros de saúde e unidades móveis estão sobrecarregados, os abrigos estão lotados e os serviços de água e eletricidade continuam interrompidos em todas as áreas afetadas.
A organização também relatou a chegada de um grande volume de ajuda humanitária ao país, mas apontou falhas de coordenação na distribuição. Segundo o IRC, isso teria provocado deterioração de alimentos e dificuldades logísticas.
Com as equipes de busca e resgate começando a se retirar nos próximos dias, organizações humanitárias alertam que as necessidades alimentares ressurgirão e se intensificarão, mesmo com o fim da fase de resgate se aproximando. O IRC está ampliando sua resposta, pois as equipes em campo relatam que a extensão total da destruição se torna mais clara a cada hora que passa.
Impacto psicológico e incerteza
A diretora do IRC na Venezuela, Nicole Kast, descreveu a situação nos abrigos como “de partir o coração”.
Ela relatou a presença de mulheres com crianças pequenas sem documentos, sem medicamentos e sem informações sobre familiares desaparecidos.
As crianças não estão dormindo. Cada tremor secundário desencadeia pânico coletivo nos abrigos, e o impacto psicológico disso persistirá muito depois de os escombros terem sido removidos.