- Opositor russo é condenado a 11 anos por críticas à guerra na Ucrânia.
- Condenação ocorre antes das eleições parlamentares marcadas para setembro.
- Yabloko é mantido excluído das eleições após recorrer da decisão.
- Shlosberg nega acusações e afirma que elas não têm fundamento.
- Partido classifica sentença como “bárbara” e diz que ele foi punido por defender a paz.
Um tribunal da Rússia condenou nesta segunda-feira (17) o opositor Lev Shlosberg a 11 anos e um mês de prisão por declarações críticas à guerra na Ucrânia. A sentença ocorre às vésperas das eleições parlamentares russas, marcadas para setembro, e amplia a pressão sobre o político e o partido ao qual pertence, o Yabloko.
Shlosberg, de 63 anos, é um dos principais integrantes da legenda, a única registrada na Rússia que se posiciona abertamente contra a guerra na Ucrânia. Segundo as autoridades russas, a condenação está relacionada a declarações públicas feitas pelo político sobre o conflito.
O caso se soma a outras medidas adotadas pelas autoridades russas contra opositores e críticos da guerra desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Opositor é condenado por críticas à guerra
Shlosberg foi julgado na cidade de Pskov, cerca de 600 quilômetros a noroeste de Moscou. Ele foi acusado de “desacreditar” as Forças Armadas russas e divulgar informações consideradas falsas sobre os militares.
As acusações tiveram origem em declarações feitas durante um debate, no qual o político defendeu o fim da guerra na Ucrânia, e em uma publicação em seu canal no Telegram.
Na postagem, Shlosberg compartilhou a capa de um jornal britânico que mostrava uma mulher ensanguentada ao lado de uma fotografia de Vladimir Putin. A publicação trazia uma manchete que responsabilizava o presidente russo pela violência.
O opositor nega as acusações e afirma que elas não têm fundamento.
Lev Shlosberg | Foto: AP
partido também fica fora das eleições
No mesmo dia da condenação, a Suprema Corte da Rússia manteve a exclusão do Yabloko das eleições parlamentares, que serão realizadas entre 18 e 20 de setembro.
A legenda havia recorrido da decisão que a impedia de participar do pleito, mas teve o pedido rejeitado.
O Yabloko é a única legenda registrada no país que mantém uma posição abertamente contrária à guerra na Ucrânia. A exclusão do partido ocorre em meio ao aumento da pressão das autoridades russas sobre seus integrantes.
Shlosberg já havia sido alvo de processos
Esta é a segunda vez que Shlosberg é levado a julgamento nos últimos dois anos. O político foi deputado da Assembleia Legislativa da região de Pskov entre 2016 e 2021 e atualmente ocupa a vice-presidência do Yabloko.
Ele também recebeu o status de “agente estrangeiro”, classificação utilizada pelas autoridades russas para pessoas e organizações que, segundo o governo, sofrem influência ou recebem apoio do exterior. A designação impõe restrições adicionais e amplia a fiscalização estatal.
Em dezembro de 2025, Shlosberg foi colocado em prisão preventiva pelas novas acusações e permanece detido desde então.
Outros integrantes do Yabloko também foram presos ou classificados como “agentes estrangeiros” nos últimos anos, em um cenário de crescente pressão sobre a legenda.
Partido chama condenação de “bárbara”
Em sua declaração final ao tribunal, apresentada na sexta-feira (14), Shlosberg afirmou que a Rússia percorreu, nas últimas três décadas, “um caminho que foi da esperança de liberdade à quase completa destruição dos direitos e das liberdades civis”.
O político também declarou que a guerra transformou a vida dos cidadãos russos e afirmou que o país ficará chocado quando conhecer o número real de mortos no conflito.
Em nota, o Yabloko classificou a sentença como “bárbara” e afirmou que Shlosberg foi punido por defender a paz e pedir um cessar-fogo. A legenda informou que pretende recorrer da decisão.
A Anistia Internacional também criticou a condenação. Marie Struthers, diretora da organização para Europa Oriental e Ásia Central, afirmou que o processo representa uma represália pelas manifestações públicas de Shlosberg em defesa da paz.
A entidade pediu a libertação do opositor e a anulação da condenação, além do fim das leis que criminalizam manifestações pacíficas contra a guerra e da perseguição a integrantes e apoiadores do Yabloko.