SEÇÕES

“Onda azul”: entenda o que muda com a vitória democrata no Congresso dos EUA

Avanço dará à oposição mais poder para investigar o governo Trump e dificultar a aprovação de indicações e projetos presidenciais a partir de 2027

Ver Resumo ▼
  • Democratas conquistam controle das duas Casas do Congresso nos EUA nas eleições de 3 de novembro.
  • Novo controle amplia capacidade de fiscalizar governo Trump e investigar ações federais.
  • Senado poderá barrar indicações presidenciais, aumentando resistência à aprovação de nomes.
  • Democratas precisam de apoio republicano para derrubar vetos, limitando poder de Trump.
  • Novas comissões legislativas podem investigar projetos de Trump e outros temas relevantes.
Abdul El-Sayed, candidato democrata, sobe ao palco após ser eleito para o Senado pelo estado do Michigan | Foto: Jeff Kowalsky / AFP
Siga-nos no

Os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado altera a composição do Legislativo e amplia o poder de atuação da oposição durante os dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump.

Com a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, os democratas terão mais condições de fiscalizar a administração federal, conduzir investigações, analisar indicações presidenciais e dificultar a aprovação de projetos defendidos pelo governo. A nova composição, no entanto, só começa a exercer suas funções em janeiro de 2027, quando os parlamentares eleitos tomam posse.

Maioria democrata pode ampliar investigações

Com o controle das duas Casas, os democratas passarão a comandar as presidências das comissões legislativas, o que amplia a capacidade de fiscalização sobre o governo Trump. Entre os instrumentos disponíveis estão as intimações, que permitem convocar pessoas e organizações para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos.

As comissões também podem realizar audiências e apurar ações de diferentes órgãos da administração federal. No Senado, há mecanismos legais para recorrer à Justiça e buscar o cumprimento de intimações relacionadas às investigações, conforme as regras aplicáveis.

Uma lista de possíveis temas de apuração foi apresentada pelo escritório de advocacia Squire Patton Boggs a clientes. Entre os assuntos mencionados estão:

  • Projetos de construção de Trump;
  • Alegações de enriquecimento ilícito envolvendo o presidente e integrantes de sua família;
  • A guerra no Irã;
  • A fiscalização da imigração;
  • Os impactos dos cortes orçamentários promovidos pelo DOGE, em 2025, sobre o serviço público federal;
  • Inteligência artificial;
  • Acessibilidade.

A relação reúne possíveis frentes de investigação, mas não significa que todas elas tenham sido formalmente abertas pelo Congresso.

Senado poderá barrar indicações presidenciais

O Senado é responsável por analisar e confirmar indicações feitas pelo presidente para cargos que dependem de aprovação da Casa, como integrantes do Gabinete, embaixadores e juízes federais, incluindo ministros da Suprema Corte.

Com a maioria democrata, Trump poderá enfrentar mais resistência para aprovar seus indicados. Os senadores da oposição terão condições de rejeitar nomes ou dificultar o andamento das confirmações, ampliando a necessidade de negociação entre o governo e o Legislativo.

O presidente dos EUA Donald Trump | Foto: Andrew Harnik/Getty Images

Derrubada de vetos exige apoio republicano

O Congresso também pode derrubar um veto presidencial, mas precisa reunir o apoio de dois terços dos parlamentares presentes em cada uma das Casas. Apesar de terem conquistado a maioria na Câmara e no Senado, os democratas não alcançaram, sozinhos, o número necessário para superar esse limite.

Assim, caso Trump vete projetos aprovados pelo Legislativo, a oposição precisará conquistar o apoio de parlamentares republicanos para derrubar as decisões presidenciais.

Em entrevista ao Politico na noite das eleições, Trump afirmou que tem o direito de vetar propostas aprovadas por um Congresso controlado pelos democratas, mas disse que não quer “ficar sentado lá por dois anos vetando tudo”.

Em outra ocasião, o presidente havia sugerido uma postura mais combativa diante de um Legislativo dominado pela oposição, ao afirmar que poderia se tornar “o Sr. Veto”. A nova composição do Congresso deve exigir mais negociações entre a Casa Branca e os parlamentares para a aprovação de propostas.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP