- Autoridades do Nepal sepultaram 199 corpos não identificados em floresta por falta de necrotérios.
- Corpos vindos do Tibete, na China, foram adicionados a necrotérios já sobrecarregados.
- Decisão de sepultamento emergencial foi tomada para evitar risco sanitário e decomposição.
- Buscas na região entre Nepal e China entram no quarto dia com mais de 3 mil pessoas desaparecidas.
- Operações de resgate enfrentam dificuldades devido a lama e escombros em áreas afetadas.
Autoridades do sul do Nepal precisaram sepultar 199 corpos ainda não identificados em uma floresta após os necrotérios da região atingirem a capacidade máxima. A medida foi adotada na região de Devghat, no distrito de Chitwan, diante da falta de equipamentos adequados para conservar os restos mortais.
A situação se agravou após a chegada de 272 corpos vindos do Tibete, na China, vítimas de uma sequência de enchentes e deslizamentos provocados pela cheia do rio Bhote Koshi. Vilarejos foram atingidos e áreas inteiras ficaram cobertas por lama e escombros.
Sem espaço suficiente nos necrotérios e sem freezers para manter os corpos preservados até a realização de exames de identificação, as autoridades optaram pelo sepultamento emergencial.
O chefe do distrito de Bharatpur, Ganesh Aryal, afirmou que a decisão foi tomada diante do risco sanitário provocado pela decomposição dos corpos. Segundo ele, não havia outra alternativa diante das condições encontradas no local.
BUSCAS CHEGAM AO QUARTO DIA
As equipes de resgate entraram neste domingo (30) no quarto dia de operações para localizar vítimas das enchentes e dos deslizamentos na região de fronteira entre o Nepal e a China.
De acordo com as autoridades, mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas. O número de mortos chegou a 804, sendo 788 no Nepal e 16 na China.
A dimensão do desastre também mobilizou organizações humanitárias. A Cruz Vermelha estima que mais de 9 mil pessoas tenham sido afetadas pelos eventos climáticos.
Até o momento, as autoridades nepalesas contabilizam 7.514 resgates realizados durante as operações de emergência.
OPERAÇÃO ENFRENTA DIFICULDADES
As condições encontradas nas áreas atingidas têm dificultado o trabalho das equipes. A lama e os escombros deixados pelas enchentes e deslizamentos dificultam o acesso a regiões afetadas e a localização de possíveis sobreviventes e vítimas.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, classificou o deslizamento de lama como um dos eventos mais graves registrados no país nos últimos anos.
Segundo informações divulgadas pela emissora estatal CCTV, Wang Yi afirmou que as operações de resgate enfrentam um nível de dificuldade e complexidade considerado sem precedentes.