Membros do alto escalão dos EUA usam emojis para discutir plano de guerra em chat

Alto escalão dos EUA usou chat informal para discutir ataque militar no Iêmen; jornalista que foi incluído por engano e revelou o caso

O presidente dos EUA, Donald Trump, realiza sua primeira reunião de gabinete enquanto se senta ao lado do Secretário de Estado, Marco Rubio, e do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, em Washington, D.C. | REUTERS/Brian Snyder O presidente dos EUA, Donald Trump, realiza sua primeira reunião de gabinete enquanto se senta ao lado do Secretário de Estado, Marco Rubio, e do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, em Washington, D.C. | Foto: REUTERS/Brian Snyder
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Um erro inusitado expôs um dos maiores vazamentos de segurança dos Estados Unidos. O editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado, por engano, a um grupo de mensagens no Signal onde autoridades do alto escalão do governo Trump discutiam planos ultrassecretos de bombardeios contra os rebeldes Houthis, no Iêmen.

Conversa informal sobre planos de guerra

No chat, que incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Defesa, Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio, as mensagens não só detalhavam operações militares como traziam críticas à Europa e comentários políticos sobre o impacto da campanha militar na opinião pública americana.

O uso de emojis como foguinho, soquinho e bandeira americana por Michael Waltz, então secretário de Segurança Nacional, chamou atenção. Enquanto debatiam ataques no Oriente Médio, as autoridades trocavam mensagens em tom casual, sugerindo que os EUA estavam “salvando a Europa de novo” ao agir contra os Houthis, grupo aliado do Irã e do Hamas.

Emojis em chat com a cúpula do governo americano — Foto: Reprodução/The Atlantic 

Vazamento gera crise no governo

A falha gerou forte repercussão. O New York Times classificou o caso como “uma falha extraordinária” de segurança. O próprio governo admitiu a autenticidade do vazamento e anunciou uma revisão nos protocolos. O Congresso dos EUA convocou os chefes da CIA e do FBI para prestar esclarecimentos.

Em resposta, Donald Trump minimizou o incidente, dizendo que foi “uma falha, mas nada sério”. Já parlamentares democratas classificaram o caso como um escândalo, com pedidos de renúncia de envolvidos.

Uso de aplicativo não autorizado é investigado

O uso do Signal para discutir segredos de Estado também virou alvo de investigação. Segundo a legislação americana, informações confidenciais devem ser mantidas em canais seguros do governo. Em casos semelhantes, como o de Hillary Clinton em 2015, o Departamento de Justiça investigou possíveis violações da Lei de Espionagem.

Enquanto aliados europeus tentam minimizar o impacto diplomático, o caso escancara um problema maior: a falta de controle sobre informações estratégicas e o uso informal de aplicativos por autoridades de alto escalão.

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