O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, relacionou as demissões em massa previstas na empresa, controladora do Facebook, ao aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Durante uma reunião interna realizada nesta quinta-feira (30), ele também não descartou a possibilidade de novos cortes no quadro de funcionários.
"Temos basicamente dois grandes centros de custo na empresa: infraestrutura de computação e coisas voltadas para as pessoas", disse Zuckerberg.
"Se estivermos investindo mais em uma área para atender à nossa comunidade, isso significa que teremos menos capital para alocar na outra. Portanto, isso significa que precisamos reduzir um pouco o tamanho da empresa", acrescentou.
Segundo o executivo, as demissões não estão ligadas à reorganização das equipes da Meta em torno de uma nova estrutura considerada “nativa de IA”, nem aos esforços para desenvolver agentes capazes de executar tarefas de forma autônoma.
A falta de posicionamento público da empresa sobre os cortes vinha gerando insatisfação entre funcionários. O cenário ocorre paralelamente a anúncios sobre uma “transformação” organizacional voltada para inteligência artificial, além de iniciativas que envolvem o monitoramento de ações como movimentação do mouse, cliques e digitação para treinar sistemas de IA.
Em alguns casos, empregados criticaram diretamente Zuckerberg e outros executivos em fóruns internos da empresa, conforme relatos obtidos pela Reuters.
"Fazer com que todos usem internamente as ferramentas de IA e fazer o trabalho de forma mais eficiente não é o que está causando as demissões", disse Zuckerberg aos funcionários, embora tenha acrescentado que "veremos como todas essas coisas evoluem" e disse que a empresa "poderá compartilhar mais em breve".
A reunião desta quinta-feira marcou a primeira vez que Zuckerberg falou diretamente com os funcionários sobre as demissões desde que o plano foi divulgado pela Reuters, em março.
A Meta pretende cortar cerca de 10% de sua força de trabalho a partir de 20 de maio e avalia novas reduções no segundo semestre. Embora os cortes previstos para maio tenham sido confirmados por executivos, não houve detalhamento sobre medidas futuras.
"Eu gostaria de poder dizer a vocês que tenho um plano de bola de cristal para os próximos três anos sobre como tudo isso vai se desenrolar. Não tenho. Acho que ninguém tem", disse ele.