O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se desentendeu com um manifestante nesta segunda-feira (05) ao deixar o tribunal federal de Nova York, após sua primeira audiência na Justiça dos Estados Unidos. O episódio ocorreu no momento em que ele era escoltado por agentes federais para fora da sala de audiências.
Quando Maduro se levantou para sair, um homem que acompanhava a sessão se levantou na plateia e passou a se dirigir a ele em espanhol, chamando-o de presidente “ilegítimo”. O manifestante foi identificado como Pedro Rojas, de 33 anos, que afirmou posteriormente já ter sido preso pelo regime venezuelano.
Ao ouvir a provocação, Maduro olhou diretamente para o homem e respondeu, também em espanhol:
“Sou um presidente sequestrado. Sou um prisioneiro de guerra.”
Primeira audiência nos EUA
Maduro compareceu pela primeira vez a um tribunal americano para responder às acusações de narcoterrorismo, usadas pelo governo do presidente Donald Trump como base para justificar sua captura e transferência para os Estados Unidos. Vestindo uniforme azul de presidiário, ele e a esposa, Cilia Flores, chegaram ao tribunal por volta do meio-dia para um procedimento considerado inicial no processo judicial.
Durante a audiência, Maduro afirmou que ainda não havia lido a acusação formal e disse não ter sido informado sobre seus direitos.
“Eu não tinha conhecimento desses direitos. Vossa Excelência está me informando sobre eles agora”, declarou, por meio de um intérprete.
Situação de Cilia Flores
A sessão foi encerrada às 12h31, após o advogado Mark Donnelly, que representa Cilia Flores, informar ao juiz que sua cliente enfrenta “problemas de saúde e médicos que exigirão atenção”. Segundo a defesa, Flores, de 69 anos, pode ter uma fratura ou um hematoma grave nas costelas e pode precisar passar por exames de imagem.
Tanto Maduro quanto Cilia Flores concordaram em permanecer detidos por enquanto. Os advogados informaram que um eventual pedido de fiança poderá ser reavaliado em outra data.
Próximos passos
A próxima audiência de Nicolás Maduro está marcada para 17 de março. Mesmo detido, ele segue afirmando publicamente que ainda é o líder legítimo da Venezuela, posição que mantém desde a captura e transferência para Nova York.
Com informações Associated Press*