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Líder supremo do Irã sinaliza que país não aceitará exigências dos EUA

Declaração de Mojtaba Khamenei ocorre em meio a impasse com os Estados Unidos sobre programa nuclear e tensões no Estreito de Ormuz.

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  • O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país não aceitará imposições dos EUA sobre seu programa nuclear e a situação no Estreito de Ormuz.
  • Khamenei criticou diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, e disse que o Irã será "irredutível" na defesa de seus interesses estratégicos.
  • O conflito entre Irã, EUA e Israel teve início no fim de fevereiro após bombardeios contra o território iraniano.
  • Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei | Foto: Reprodução/Saeid Zareian/picture alliance via Getty Images
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O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou na quinta-feira (30) que o país não aceitará imposições dos Estados Unidos relacionadas ao seu programa nuclear nem à situação no Estreito de Ormuz. A declaração reforça o endurecimento da postura iraniana em meio às tensões com Washington.

Em pronunciamento divulgado por canais oficiais, Khamenei criticou diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, e afirmou que o Irã será “irredutível” na defesa de seus interesses estratégicos.

Escalada de tensões

O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel teve início no fim de fevereiro, após bombardeios contra o território iraniano. Em resposta, Teerã passou a atacar bases norte-americanas no Oriente Médio e alvos israelenses, com apoio de grupos aliados como o Hezbollah e milícias iraquianas.

Apesar de uma tentativa de cessar-fogo anunciada pelos EUA em 7 de abril e negociações mediadas pelo Paquistão, as conversas fracassaram. Segundo Khamenei, o conflito marca um “novo capítulo” na região, após o que classificou como “fracasso humilhante” dos Estados Unidos.

Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde o início da guerra, a passagem foi bloqueada pelo Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica, provocando alta nos preços globais de combustíveis.

Estreito de Ormuz | Foto: Reprodução/ Getty Images/Getty Images 

Atualmente, o bloqueio tornou-se parcial. O Irã passou a cobrar uma espécie de “pedágio” para permitir a travessia de embarcações de países não alinhados aos EUA e a Israel, como China, Índia e Rússia.

Programa nuclear segue como impasse central

Outro ponto crítico nas negociações é o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem o fim do enriquecimento de urânio, considerado essencial para a produção de armas nucleares, enquanto o Irã defende o direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos.

Como forma de pressão, Washington iniciou, em 13 de abril, um bloqueio naval contra portos iranianos. Segundo Trump, a medida só será suspensa quando Teerã aceitar as propostas impostas pelos EUA.

Khamenei, por sua vez, afirmou que o programa nuclear é um “patrimônio nacional” e declarou que a população iraniana está disposta a defendê-lo.

“Noventa milhões de iranianos consideram suas capacidades científicas, industriais e tecnológicas, do nano ao nuclear, como patrimônio nacional e irão defendê-las”, disse.

A reabertura total do Estreito de Ormuz segue condicionada, segundo o governo iraniano, ao fim definitivo do conflito, um cenário ainda distante diante do atual impasse diplomático.

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