A Justiça do Paraguai decretou, neste sábado (7), a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, destituído do cargo na última sexta-feira (6), após um processo de impeachment. Ele é investigado por crimes relacionados a operações com recursos públicos envolvendo o banco Ueno.
A decisão foi tomada pelo juiz Humberto Otazú, após pedido apresentado pelo Ministério Público horas antes. Peña já estava detido temporariamente desde a noite de sexta-feira, quando o Senado concluiu a votação que resultou na perda de seu mandato.
Segundo o magistrado, a prisão preventiva busca garantir que o ex-presidente permaneça no país durante o andamento das investigações. Durante a audiência, realizada neste sábado, Peña optou por permanecer em silêncio.
O juiz também informou que analisa o pedido do Ministério Público para bloquear os bens do ex-presidente. Parte das solicitações ainda está sob avaliação da Justiça.
Peña deverá permanecer detido no Regimento de Escolta Presidencial. De acordo com Otazú, a medida considera o acesso que o ex-presidente teve a informações sigilosas sobre o sistema financeiro e o crime organizado durante o mandato.
Investigação envolve banco Ueno
As investigações apuram possíveis irregularidades envolvendo o banco Ueno e antigos dirigentes da instituição financeira. Peña é apontado como um dos sócios do grupo controlador do banco e responde a acusações de lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em benefício próprio, como autor.
O ex-presidente prestou depoimento neste sábado, por volta das 11h, no horário de Brasília, na sede da Procuradoria-Geral do Ministério Público, em Assunção.
A apuração também envolve o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central paraguaio. O juiz ainda analisa as medidas solicitadas pelo Ministério Público no decorrer do processo.
Crise bancária provocou queda política
A crise política que levou à destituição de Peña começou após a quebra do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas. O episódio provocou protestos em Assunção e aumentou a pressão sobre o governo.
Peña passou a ser alvo de questionamentos por seus vínculos empresariais com o grupo controlador da instituição. Ele manteve participação na holding ligada ao banco até março de 2025.
O Banco Central do Paraguai interveio na instituição após identificar problemas em operações de crédito e irregularidades na contabilização de ativos. O órgão regulador também apontou insuficiência de capital para a continuidade das atividades.
Na quinta-feira (5), Peña anunciou que renunciaria à Presidência. Na ocasião, afirmou que pretendia preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. A decisão, no entanto, não interrompeu o processo de impeachment.
Os parlamentares decidiram manter o julgamento porque a saída voluntária poderia garantir ao então presidente uma cadeira vitalícia no Senado e imunidade parlamentar.
Após a destituição oficial, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.