O Irã rejeitou nesta segunda-feira (6) a proposta de reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um cessar-fogo temporário. O governo iraniano avalia que os Estados Unidos não demonstram disposição para negociar uma trégua duradoura, o que dificulta qualquer avanço diplomático no momento, informou a agência Reuters.
A posição de Teerã foi divulgada horas após ataques aéreos atribuídos a Israel matarem o chefe da inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Majid Khademi. A morte foi confirmada pelo próprio corpo militar iraniano.
Morte de líder militar agrava cenário
Em comunicado publicado no canal oficial da IRGC no Telegram, o grupo afirmou que Khademi, responsável pela organização de inteligência do exército ideológico iraniano, morreu em um ataque realizado na madrugada desta segunda-feira.
O governo iraniano atribuiu a ação ao que chamou de “inimigo americano-sionista”, ampliando o tom das acusações em meio à crescente tensão regional.
Declarações de Trump elevam pressão
A crise se intensificou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar o Irã publicamente. Em sua plataforma Truth Social, ele afirmou que poderá ordenar ataques contra infraestruturas estratégicas iranianas caso o estreito não seja reaberto.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás exportado globalmente, o que amplia o impacto de qualquer bloqueio na região.
Em tom agressivo, Trump publicou mensagens com ameaças diretas ao governo iraniano e chegou a estabelecer prazos para a reabertura da rota marítima.
Prazo é adiado em meio a incertezas
Inicialmente, o presidente havia fixado um ultimato para a noite desta segunda-feira (6), no horário de Washington. Posteriormente, no entanto, ele adiou o prazo para as 20h de terça-feira (7), mantendo a pressão sobre Teerã.
Durante entrevista à Fox News, Trump afirmou acreditar que ainda há “uma boa chance” de acordo, apesar da retórica mais dura adotada nas redes sociais.
Não é a primeira vez que o prazo é alterado. No fim de março, o presidente já havia prorrogado por dez dias uma data-limite anterior, indicando incerteza nas negociações e mantendo o cenário de instabilidade no Oriente Médio.