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Irã nega proposta de cessar-fogo dos EUA e intensifica ataques em meio à guerra

Mesmo com articulação diplomática, ofensivas se intensificam e ampliam instabilidade no Oriente Médio

Vista das explosões iluminando o horizonte em meio aos ataques contínuos dos EUA e de Israel em Teerã, Irã, em 25 de março de 2026 | Foto: Reprodução/ Tolga Akbaba/Anadolu via Getty Images
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Em meio a relatos sobre uma proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos ao Irã, intermediada por autoridades do Paquistão, a guerra no Oriente Médio chega ao 26º dia nesta quarta-feira (25), marcada pela intensificação de ataques e pelo endurecimento do discurso entre as partes.

Teerã nega qualquer negociação e mantém tom de confronto, enquanto Israel afirma ter ampliado ofensivas contra alvos militares na capital iraniana. Paralelamente, a Guarda Revolucionária e o Hezbollah relatam ações diretas contra interesses israelenses na região.

proposta de cessar-fogo dos EUA

O Irã recebeu uma proposta de cessar-fogo composta por 15 pontos elaborados pelos Estados Unidos, segundo dois funcionários paquistaneses ouvidos nesta quarta-feira.

De acordo com as fontes, o plano inclui medidas como alívio de sanções econômicas, cooperação nuclear civil, redução do programa nuclear iraniano, monitoramento pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), além de limites para o desenvolvimento de mísseis e garantias de navegação no Estreito de Ormuz — rota estratégica que conecta o Golfo Pérsico.

Os funcionários falaram sob condição de anonimato à Associated Press, por não terem autorização para divulgar detalhes da negociação.

Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Carlos Barria/REUTERS)

Apesar disso, o governo iraniano reiterou que não participa de tratativas com os EUA e desdenhou publicamente das iniciativas diplomáticas.

Porta-voz militar iraniano

Em pronunciamento exibido pela televisão estatal, o tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya, criticou duramente os esforços americanos por um cessar-fogo.

Segundo ele, os Estados Unidos estariam “negociando consigo mesmos” e tentando mascarar fragilidades estratégicas com propostas diplomáticas.

“O poder estratégico de que vocês tanto falavam se transformou em um fracasso estratégico. Quem se diz uma superpotência global já teria saído dessa situação se pudesse”, afirmou.

Zolfaghari também reforçou a postura de resistência do Irã.

"Nossa posição permanece a mesma desde o primeiro dia e assim continuará. Não nos submeteremos”.

Ele acrescentou ainda que a estabilidade regional, na visão iraniana, depende da força militar do país.

mísseis na região

A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter realizado ataques com mísseis contra Israel e contra bases militares que abrigam forças americanas no Kuwait, Jordânia e Bahrein.

Em comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB, o grupo afirmou que os alvos foram atingidos por mísseis guiados de alta precisão e drones de ataque.

confronto aéreo com Israel

O Hezbollah informou que disparou mísseis terra-ar contra um avião de guerra israelense durante operações no sul do Líbano, na noite de terça-feira.

Segundo o grupo, a aeronave teria sido forçada a recuar, o que marcaria a primeira ação desse tipo desde o início do atual conflito com Israel, em 2 de março.

Na semana anterior, o Hezbollah já havia alegado ter derrubado um drone israelense na região de Baraachit. Até o momento, as Forças de Defesa de Israel não comentaram as declarações.

Israel diz ter atingido instalações militares em Teerã

O Exército de Israel afirmou ter bombardeado duas instalações de produção de mísseis de cruzeiro navais ligadas ao Ministério da Defesa do Irã, na capital Teerã.

De acordo com os militares, os locais eram responsáveis pelo desenvolvimento de armamentos de longo alcance, capazes de atingir alvos marítimos e terrestres.

“Os ataques representam mais um avanço na degradação da infraestrutura militar do regime iraniano”, informou o comunicado.

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