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Irã entrega exigências para o fim da guerra e rejeita conversa direta com EUA

Representantes dos dois países participam de tratativas indiretas no Paquistão, enquanto tensão no Estreito de Ormuz e no Líbano mantém clima de instabilidade no Oriente Médio

Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução
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O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, entregou neste sábado (25) as exigências de Teerã para um possível acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, segundo informações da agência Reuters com base em fontes do governo paquistanês.

Representantes do Irã e dos Estados Unidos participam de uma nova rodada de negociações indiretas em Islamabad, capital do Paquistão, país que atua como mediador entre as duas potências.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, Araghchi apresentou documentos contendo as condições impostas pelo governo iraniano, além de ressalvas às propostas apresentadas pelos norte-americanos. O conteúdo dos documentos, no entanto, não foi divulgado até a última atualização.

Na sexta-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que a nova proposta iraniana pode atender às exigências de Washington para o encerramento do conflito.

“Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”, declarou Trump. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também mencionou “avanços” e “progressos” nas negociações.

Clima mais tenso marca nova rodada

Apesar do discurso otimista da Casa Branca, as conversas deste sábado ocorrem em um ambiente mais hostil do que o registrado na primeira rodada, realizada há três semanas, quando representantes dos dois países chegaram a se reunir presencialmente, incluindo o vice-presidente dos EUA, JD Vance.

A expectativa inicial era de que os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner mantivessem conversas diretas com Araghchi em Islamabad. No entanto, o chanceler iraniano rejeitou essa possibilidade e afirmou que só pretende dialogar por meio dos mediadores paquistaneses.

A retomada das negociações estava prevista para a última terça-feira (21), mas foi adiada após o Irã afirmar que ainda não estava preparado. Na mesma data, a delegação americana também permaneceu em Washington, e Trump decidiu prorrogar o cessar-fogo para permitir a continuidade das tratativas.

Estreito de Ormuz segue bloqueado

Enquanto as negociações avançam lentamente, o tráfego marítimo permanece interrompido no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo.

A região segue sob um duplo bloqueio imposto por Irã e Estados Unidos, o que mantém o mercado internacional em alerta.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou na sexta-feira que a reabertura de Ormuz é “vital para o mundo”. Mesmo diante da instabilidade, o mercado de petróleo fechou em alta, impulsionado pelo otimismo em torno das conversas diplomáticas.

Trump declarou ainda que tem “todo o tempo do mundo” para negociar a paz com o Irã, embora mantenha a pressão militar na região. Atualmente, um terceiro porta-aviões norte-americano, o USS George H.W. Bush, opera nas proximidades.

Trégua no Líbano também enfrenta impasse

No Líbano, o cessar-fogo também enfrenta dificuldades. Na quinta-feira (23), Trump anunciou a prorrogação de mais três semanas da trégua após reuniões entre representantes israelenses e libaneses em Washington.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que há um esforço para construir uma “paz histórica” entre os dois países, mas acusou o Hezbollah de tentar sabotar o processo.

“Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano, e parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo”, declarou Netanyahu.

O Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, rebateu afirmando que a prorrogação da trégua não faz “sentido” diante dos “atos de hostilidade” de Israel e pediu que o governo libanês abandone as negociações diretas com os israelenses.

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