As delegações de Irã e Estados Unidos (EUA) iniciam neste sábado (11) negociações de paz em Islamabad, no Paquistão, mediadas pelo governo paquistanês, em meio a um cessar-fogo de duas semanas e a pelo menos cinco impasses principais que podem dificultar um acordo entre as partes.
Negociação “tudo ou nada”
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, classificou o encontro como um momento decisivo para encerrar as tensões entre os países.
“Tudo ou nada”, afirmou o líder paquistanês ao anunciar a reunião, destacando que o país atua como mediador por manter diálogo com ambos os lados.
A delegação iraniana é liderada por Mohammad-Bagher Ghalibaf, enquanto os EUA são representados pelo vice-presidente JD Vance, que afirmou estar disposto a negociar, mas fez ressalvas. “Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé, certamente estaremos dispostos a estender a mão”, disse.
Cessar-fogo no Líbano é entrave
Um dos principais pontos de tensão envolve o conflito no Líbano, onde ações militares de Israel contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã, colocam em risco o diálogo.
O governo iraniano afirma que os ataques violam o cessar-fogo firmado com os EUA. Já americanos e israelenses sustentam que o território libanês não faz parte do acordo.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, alertou que a continuidade das ações pode inviabilizar as negociações. “A continuidade dessas ações tornará as negociações sem sentido”, declarou.
Disputa pelo Estreito de Ormuz
Outro impasse envolve o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial.
O Irã tem adotado medidas para reforçar o controle da região, incluindo novas rotas marítimas e regras de navegação. Relatos indicam que embarcações estariam pagando taxas elevadas para atravessar o local.
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a postura iraniana e afirmou que o país estaria agindo de forma “desonesta” na gestão da rota, além de alertar para possíveis medidas caso não haja acordo.
Programa nuclear segue como principal conflito
O programa nuclear iraniano permanece como o ponto mais sensível das negociações. Os EUA exigem o fim do enriquecimento de urânio no território iraniano, enquanto Teerã defende o direito de manter o programa para fins civis.
O tema já foi alvo do acordo internacional de 2015, mas segue sem consenso. O governo americano reforça que o Irã não pode desenvolver armas nucleares, enquanto o país persa nega essa intenção.
Sanções e aliados regionais
A retirada de sanções econômicas também está no centro das discussões. O Irã exige o desbloqueio de cerca de US$ 120 bilhões em ativos congelados antes mesmo do avanço das negociações, o que é visto como improvável por parte dos EUA.
Além disso, a atuação de grupos aliados ao Irã, como Hezbollah, Hamas e milícias regionais, amplia a complexidade do cenário. Os EUA e aliados consideram essas organizações uma ameaça, enquanto Teerã mantém apoio político e estratégico.
Expectativa e incerteza
Apesar do início das negociações e do cessar-fogo em vigor, ainda não há garantia de que as partes chegarão a um acordo. As divergências estruturais e interesses geopolíticos mantêm o cenário de incerteza.
O encontro em Islamabad é visto como uma oportunidade para avanço diplomático, mas também como um teste decisivo para a capacidade de diálogo entre os dois países.