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Governo Milei é investigado por suposto desvio de verbas milionárias destinadas à infraestrutura

Recursos destinados a obras viárias foram aplicados no mercado financeiro e parte foi transferida a províncias antes de votações no Congresso, segundo investigações

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  • Governo de Milei investigado por uso irregular de recursos destinados a rodovias.
  • Recursos do SisVial mantidos em aplicações financeiras, com pouco gasto em obras.
  • Denúncias apontam transferência de verbas para províncias perto de votações importantes.
  • Opposição aciona Justiça para investigar possíveis malversações de recursos públicos.
  • Governo defende que uso dos recursos está alinhado ao equilíbrio fiscal e redução do Estado.
O presidente da Argentina, Javier Milei | Foto: Agustin Marcarian/Reuters
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O governo de Javier Milei é alvo de investigações e denúncias na Argentina sobre o uso de recursos que deveriam financiar obras de infraestrutura. Levantamentos jornalísticos apontam que bilhões de pesos destinados a rodovias foram mantidos em aplicações financeiras e que parte das verbas foi transferida a províncias em períodos próximos a votações importantes no Congresso.

O caso coloca sob pressão uma das principais bandeiras da gestão Milei: o equilíbrio das contas públicas e o rompimento com práticas políticas tradicionais. A suspeita de uso irregular de recursos públicos agora abre uma nova frente de questionamentos contra o governo.

Governo reteve recursos destinados às rodovias

O principal foco das denúncias é o Sistema Vial Integrado (SisVial), fundo que recebe parte da arrecadação do imposto sobre combustíveis e tem como finalidade financiar a construção, manutenção e recuperação da rede rodoviária.

Segundo levantamento do jornal La Nación, o governo arrecadou mais de 1,5 trilhão de pesos para obras viárias desde o início da gestão Milei até maio deste ano, mas executou apenas cerca de um quarto desse valor. Mais de 1 trilhão de pesos permaneciam aplicados em instrumentos financeiros, como depósitos a prazo fixo e títulos públicos.

O próprio porta-voz da Presidência, Adrián Ravier, reconheceu que parte dos recursos do SisVial foi utilizada para contribuir com o objetivo de “alcançar o equilíbrio fiscal”. Ele também defendeu a estratégia do governo de reduzir a participação direta do Estado na construção de rodovias e ampliar a atuação da iniciativa privada.

O governo já colocou milhares de quilômetros de rodovias nacionais sob processos de licitação para concessão.

Estradas sofrem com falta de manutenção

Enquanto os recursos permanecem parcialmente aplicados no mercado financeiro, a situação das rodovias argentinas se tornou outro ponto de pressão sobre o governo.

A Federação do Pessoal de Vialidad Nacional (FePeViNa) aponta deterioração significativa da malha rodoviária. Em levantamento recente, a entidade relacionou acidentes registrados em junho e julho ao estado das estradas, embora ressalte que os acidentes têm múltiplas causas e não podem ser atribuídos diretamente às condições das rodovias.

O debate sobre a falta de investimentos ganhou força entre governadores, que há meses cobram da Casa Rosada o repasse de recursos para manutenção das estradas nacionais.

Suspeita de uso político amplia crise

As denúncias não se limitam à aplicação financeira dos recursos.

Segundo investigação do jornalista Hugo Alconada Mon, publicada pelo La Nación, o Ministério da Economia transferiu mais de 33 bilhões de pesos para obras viárias em algumas províncias durante os primeiros cinco meses de 2026. Os repasses ocorreram em períodos próximos a votações consideradas importantes para o governo no Congresso.

A proximidade entre os repasses e as votações levantou suspeitas de que os recursos poderiam ter sido utilizados como instrumento de negociação política. Os governadores beneficiados, porém, rejeitaram ou buscaram afastar qualquer relação entre os repasses e o comportamento dos parlamentares de seus distritos.

A denúncia ganhou ainda mais repercussão porque o SisVial é abastecido por um imposto que tem destinação específica para a infraestrutura rodoviária.

Oposição leva caso à Justiça

A deputada Victoria Tolosa Paz apresentou uma denúncia à Justiça Federal para que seja investigado o uso dos recursos do SisVial. Ela pediu que sejam apuradas possíveis práticas como malversação de recursos públicos, administração fraudulenta, abuso de autoridade e descumprimento de deveres funcionais.

A parlamentar questiona especificamente o destino de mais de 1 trilhão de pesos que, segundo os levantamentos, não foram aplicados em obras viárias.

A Justiça Federal também começou a analisar o caso. O juiz Ernesto Kreplak aceitou uma ação coletiva relacionada à destinação dos recursos do SisVial e determinou que órgãos do governo apresentem informações sobre a utilização do dinheiro.

Governo defende equilíbrio fiscal

A Casa Rosada sustenta que a utilização dos recursos está relacionada à estratégia de equilíbrio das contas públicas. O governo também argumenta que o modelo adotado por Milei busca reduzir a participação direta do Estado na execução de obras e ampliar o espaço para investimentos privados.

O caso, porém, abriu uma discussão jurídica sobre os limites para utilização de recursos vinculados a uma finalidade específica. A controvérsia agora está sob análise da Justiça, enquanto a oposição cobra explicações do ministro da Economia, Luis Caputo, e de outros integrantes do governo.

Assim, o principal questionamento deixou de ser apenas quanto o governo arrecada ou economiza, mas se os recursos destinados legalmente à infraestrutura estão sendo utilizados de acordo com a finalidade para a qual foram arrecadados.

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