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Governo dos Estados Unidos estuda possíveis restrições a antidepressivos da classe ISRS

Proposta foca em fármacos como Prozac e Zoloft; governo nega proibição, mas cria diretrizes para interrupção segura de tratamentos

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  • Autoridades do Departamento de Saúde discutem restrições a antidepressivos ISRS.
  • Secretário Robert F. Kennedy Jr. elabora plano para reduzir uso desses medicamentos no país.
  • Governo nega discussão sobre proibição dos ISRS, classificando as alegações como falsas.
  • Kennedy anuncia iniciativas para redução do uso de antidepressivos e divulgação de dados sobre prescrição.
Medicamentos | Foto: Reprodução/ Freepik
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Autoridades do Departamento de Saúde dos Estados Unidos discutiram recentemente a possibilidade de impor restrições a determinados antidepressivos da classe dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina), segundo fontes com conhecimento das conversas. O tema teria sido abordado enquanto o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., elabora um plano voltado à redução do uso desses medicamentos no país.

Entre os fármacos citados nas discussões estariam antidepressivos amplamente prescritos há décadas, como Zoloft, Prozac e Lexapro. Até o momento, no entanto, não há informações sobre quais produtos poderiam ser afetados nem em que estágio se encontram as análises internas do governo.

Governo nega discussão sobre proibição

Em resposta às informações, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA negou oficialmente que haja qualquer debate sobre a proibição dos ISRS. Em comunicado, o porta-voz Andrew Nixon classificou como falsas as alegações de que haveria planos de restrição aos medicamentos.

Apesar da negativa, Kennedy anunciou nesta semana um conjunto de iniciativas com foco na redução do uso de antidepressivos, ao mesmo tempo em que afirmou não querer gerar interrupções abruptas em tratamentos já em andamento. Entre as medidas, estão novas diretrizes de reembolso para médicos que auxiliam pacientes na interrupção do uso, além da ampliação da divulgação de dados sobre prescrição e investimentos em capacitação de profissionais de saúde.

Debate 

“Os medicamentos psiquiátricos têm um papel no tratamento, mas não os trataremos mais como padrão”, afirmou Kennedy durante a Cúpula sobre Saúde Mental e Super Medicalização. Ele ressaltou, porém, que pacientes em uso não devem suspender a medicação por conta própria.

Os ISRS estão entre os antidepressivos mais prescritos nos Estados Unidos e são amplamente reconhecidos pela comunidade médica como tratamentos baseados em evidências, segundo a Associação Americana de Psiquiatria. Estimativas de um estudo publicado em 2026 indicam que cerca de um em cada seis adultos norte-americanos faz uso dessa classe de medicamentos.

Especialistas apontam que qualquer tentativa de restrição dependeria de avaliação rigorosa da FDA, agência responsável pela regulação de medicamentos no país. Esse tipo de revisão regulatória, segundo analistas, pode levar meses ou até anos.

Kennedy e integrantes do movimento “Make America Healthy Again” têm criticado o uso disseminado de ISRS há anos, alegando possível excesso de prescrição, especialmente entre crianças, e dificuldades na interrupção do tratamento. O secretário também já associou o uso desses medicamentos, sem apresentar evidências conclusivas, a possíveis riscos comportamentais e psiquiátricos.

Após o anúncio das iniciativas, a Associação Americana de Psiquiatria declarou apoio a medidas que ampliem pesquisas sobre o uso adequado dos antidepressivos e a retirada segura dos tratamentos. A entidade, no entanto, criticou a tentativa de enquadrar a crise de saúde mental nos EUA principalmente como resultado de “medicalização excessiva”.

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